Em reação à proposta do ministro Gilmar Mendes de restringir a atuação de delegados da Polícia Federal nos gabinetes dos ministros do STF, integrantes da corporação manifestaram resistência contundente, defende-se que sua presença serve como suporte técnico-institucional sem influência decisória, enquanto a ADPF alerta para a tentativa de desvio de foco diante da crise gerada pela retirada de sigilo do caso Master, com reflexos diretos no ministro Alexandre de Moraes.
Contexto Institucional e Resistência Corporativa
A apuração da revelou que a sugestão de proibir a atuação de delegados nos gabinetes da Suprema Corte foi formulada pelo decano Edson Fachin durante conversa com o presidente da corte, em ambiente privado, gerando reação imediata da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), que repudia categoricamente a iniciativa sob o argumento de que tal medida visa instrumentalizar o aparato policial para fins políticos e não técnicos.
Antecedentemente ao episódio, o Ministério da Justiça havia determinado, em junho, a devolução de policiais efetivos desviados de suas funções em todos os Poderes, mas essa orientação não atingiu o STF, onde centenas de delegados continuam lotados nos gabinetes de ministros como André Mendonça e Alexandre de Moraes, exercendo apoio especializado à gestão processual sem assumir funções decisórias.
A ADPF afirma que atacar os delegados visa desviar o foco da crise institucional gerada pela retirada de sigilo do caso Master e suas implicações jurídicas contra o ministro Alexandre de Moraes.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos Estratégicos
O presidente da ADPF, Edvandir Paiva, reforçou que os delegados atuam como auxiliares técnicos nos gabinetes, ao lado de advogados da União e juízes auxiliares, sem possibilidade de interferência nas decisões judiciais, destacando que a presença desses profissionais é essencial para a compreensão integral das investigações policiais por parte dos magistrados.
Especialistas em direito constitucional apontam que qualquer restrição à atuação dos delegados nos altos tribunais pode configurar violação ao princípio da amizade entre poderes e ao regime democrático, especialmente num momento em que o STF enfrenta intenso debate sobre transparência e controle judicial.



