Na terça-feira, 8 de setembro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aplicou multa ao banqueiro Daniel Vorcaro, em conjunto com seu pai Henrique Vorcaro e seu primo Felipe Vorcaro, por comprovação de fraude no fundo de investimento imobiliário (FII) Brazil Realty, que inflacionou artificialmente o valor de seus ativos e movimentou cotas no montante de R$ 350 milhões, atraindo investidores comuns e fundos com base em laudos falsos e reavaliações manipuladas.
Apuração da Infração e Contexto das Práticas Fraudulentas
A decisão unânime da CVM, fundamentada em laudos periciais e documentos bancários, revelou que o grupo Vorcaro teria inflacionado o valor de imóveis do fundo por meio de reavaliações fraudulentas, como o caso emblemático de um imóvel cujo preço foi distorcido de R$ 7 para R$ 70 milhões, configurando uma escalada absurda de valorização sem respaldo técnico ou mercado.
Conforme o relatório técnico da autarquia, a movimentação artificial das cotas, que atingiu R$ 350 milhões, permitiu a venda de participação irreal do fundo a investidores não qualificados e fundos de renda fixa, configurou esquema elaborado de fraude que iludiu o mercado e violou normas de transparência e fair value exigidas pelo regulator.
O valor de um único imóvel foi inflacionado de R$ 7 para R$ 70 milhões após reavaliação falsificada.
Repercussão Legal e Reações dos Envolvidos
A CVM destacou que as sanções incluem multas totalizando R$ 12,5 milhões ao Banco Master — instituição ligada à operação — e a responsabilização dos sócios controladores, com a expectativa de eventual abertura de processo administrativo para eventual cassação de licenças ou enquadramento como infratores graves no mercado financeiro.
Henrique Vorcaro, Felipe Vorcaro e Daniel foram considerados co-culpados pela estrutura fraudulenta, enquanto Antônio Carlos Freixo Júnior, Benjamim Botelho de Almeida e as empresas Viking Participações e Entre Investimentos também foram punidos por participação ativa no esquema.



