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Eleição de Lula pode influenciar voto de brasileiros nos EUA, aponta análise

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Hoje às 17:19
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Eleição de Lula pode influenciar voto de brasileiros nos EUA, aponta análise
Fatos Rápidos da Notícia
  • Donald Trump não estará na cédula nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos em 3 de novembro
  • A reeleição de Lula obteve 51,79% dos votos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro
  • Cerca de 725 mil brasileiros nascidos no Brasil vivem nos EUA e um terço possui cidadania americana
Resumo Editorial

O resultado da eleição presidencial brasileira pode ter reflexos nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, especialmente entre brasileiros residentes no território americano que veem no fortalecimento republicano uma forma de conter a influência do governo Lula na América Latina.

Em 3 de novembro, os americanos decidirão quem controlará o Congresso nos dois últimos anos do governo de Donald Trump. Embora o ex-presidente não esteja na cédula, uma vitória republicana o fortaleceria, enquanto um resultado democrata aumentaria os freios sobre a Casa Branca.

Uma parte dessa disputa pode passar pelo Brasil. A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, obtida com 51,79% dos votos contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, produz efeitos que ultrapassam a fronteira brasileira e podem favorecer Trump e candidatos republicanos.

Cerca de 725 mil brasileiros nascidos no Brasil vivem nos Estados Unidos e um terço deles já possui cidadania americana. Incluindo descendentes, a diáspora se aproxima de 950 mil pessoas, formando um contingente eleitoral que deixou de ser irrelevante.

Uma pesquisa do Instituto Ideia realizada em 2024 mostrou Kamala Harris com 60% e Trump com 35% entre brasileiros com direito a voto. O dado mais relevante da série histórica é que Trump tinha apenas 10% desse eleitorado em 2016, passou a 27% em 2020 e chegou a 35% quatro anos depois.

Para parte dos brasileiros que construiu a vida nos Estados Unidos, a política americana deixou de ser totalmente separada da brasileira. Trump é aliado declarado da família Bolsonaro e transformou sua relação com Brasília em tema de política externa.

Quem enxerga a reeleição de Lula e o protagonismo do Supremo Tribunal Federal como sinais de avanço excessivo da esquerda ou desequilíbrio institucional pode ver no fortalecimento republicano uma forma de preservar a força do governo que demonstrou maior disposição para pressionar Brasília.

Isso não significa concordância total com a agenda de Trump. Brasileiros também estão entre os grupos atingidos pelo endurecimento migratório de seu governo, mas eleições raramente são uma soma perfeitamente coerente de interesses, pois identidade, memória e percepção de ameaça também pesam.

Essa percepção não precisa ficar restrita aos brasileiros. Imigrantes de outros países da América Latina com direito a voto nos Estados Unidos também podem enxergar na reeleição de Lula um possível impulso à esquerda em suas terras de origem.

Para esse eleitorado, fortalecer Trump seria uma forma de conter não apenas Brasília, mas a influência que o Brasil pode exercer sobre os vizinhos. O voto é americano; a preocupação pode continuar latino-americana.

O Brasil não é Cuba nos anos 1960 e a disputa atual não é uma reedição da Guerra Fria. O conflito brasileiro tornou-se mais personalizado e institucional, envolvendo Lula, a família Bolsonaro, o Supremo e embates políticos, jurídicos e diplomáticos.

Com um PIB de aproximadamente US$ 2,3 trilhões, o país é a maior economia da América Latina. A reação dos mercados ao resultado eleitoral mostrou inquietação: no primeiro pregão após a vitória de Lula, o Ibovespa caiu 13,9% e o dólar subiu 8,2% frente ao real.

Para o eleitor americano, o Brasil dificilmente será o tema principal das urnas. Economia, imigração e política externa são os assuntos centrais, mas se a maior economia latino-americana for percebida como fonte de instabilidade fiscal, jurídica ou política, Trump ganha um argumento familiar sobre a necessidade de força para conter riscos no hemisfério.

O efeito tem limites: o Brasil não decidirá a eleição americana e eleitores de origem latino-americana não formam um bloco homogêneo. No entanto, eleições legislativas são decididas distrito por distrito e muitas vezes por margens pequenas, condições em que movimentos marginais importam.

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