Donald Trump publicou na sua rede social, a Truth Social, uma imagem que identifica o território da Groenlândia como uma base aérea militar dos Estados Unidos. A postagem, feita neste sábado (31/10), não traz legendas e exibe apenas a frase “Welcome to Greenland”, acompanhada de uma grande bandeira norte-americana.
Embora esteja localizada no extremo nordeste da América do Norte, a Groenlândia é um território autônomo que pertence ao Reino da Dinamarca. A região possui cerca de 57 mil habitantes, parlamento próprio, primeiro-ministro, governo local, língua oficial e bandeira própria, além de infraestrutura independente nas áreas de saúde, educação, cultura e segurança.
O governo dinamarquês responde pela defesa militar e pela política externa do território e envia subsídios financeiros anuais para sustentar a economia local. A ilha ocupa 2.166.086 km², sendo a maior ilha do mundo, com 80% de sua área coberta por gelo e apenas 410.000 km² de terra firme.
A Groenlândia detém imensas reservas de terras raras e metais essenciais, além de uma posição geográfica dominante e estratégica no Ártico. Para Trump, controlar a ilha significaria impedir o avanço militar e comercial da Rússia e da China, sobretudo com o descongelamento de novas rotas marítimas no Hemisfério Norte causado pelo aquecimento global.
Durante seu primeiro mandato, Trump já havia demonstrado interesse público em comprar a Groenlândia da Dinamarca, comparando a transação a “um grande negócio imobiliário”. A primeira-ministra dinamarquesa na época, Mette Frederiksen, classificou a ideia como “absurda” e afirmou que a ilha não estava à venda.
Em seu segundo mandato, possuir o território groenlandês tornou-se prioridade para Trump, que atrelou a conquista à segurança nacional dos Estados Unidos. Ele enviou um enviado especial ao país para preparar uma integração do território e ameaçou a Dinamarca e aliados europeus com tarifas exorbitantes entre o fim de 2025 e o início de 2026.
Diante da resistência da população local, do parlamento da Groenlândia e da Dinamarca, além do receio de se indispor com a Otan, Trump assinou recentemente o Acordo de Segurança do Ártico em 22 de setembro, na sede da ONU. O acordo reafirmou formalmente a soberania dinamarquesa e o direito de autodeterminação do povo groenlandês, sem anexação do território aos Estados Unidos.



