A soberania brasileira na produção de soja está mais ligada ao avanço da ciência e da biotecnologia do que ao volume de exportações, segundo Alexandre Lima Nepomuceno, pesquisador experiente em edição gênica e ex-chefe-geral da Embrapa Soja, em Londrina (PR). Para ele, acelerar iniciativas de pesquisa no Brasil pode posicionar o país como referência da ciência tropical, elevando a qualidade e a percepção internacional da oleaginosa nacional.
Nepomuceno argumenta que o foco deve ir além das toneladas de cargas exportadas, considerando as tendências de consumo humano, a descarbonização global e novos usos industriais para os derivados da soja. Ele cita exemplos do Meio-Oeste dos Estados Unidos, onde o óleo de soja é utilizado na fabricação de pneus e asfalto, associando essas aplicações à transição para uma economia de baixo carbono.
O pesquisador destaca que a biotecnologia é um caminho estratégico para essas discussões e afirma que pouca gente fala sobre a revolução da genética. Durante um evento realizado no início de outubro em São Paulo, ele declarou: “A biotecnologia entra hoje como caminho para pensar essas estratégias” e “Pouca gente fala da revolução da genética”.
Na Embrapa, os trabalhos com edição gênica na soja buscam melhorar o aproveitamento nutricional do grão e modificar a composição do óleo. O objetivo é desenvolver sementes resilientes a condições climáticas extremas, tolerantes à seca e sustentáveis ambientalmente.
A edição gênica permite alterar trechos específicos do DNA, comparável à edição de um texto, onde é possível remover, inserir ou substituir partes de uma sequência. Uma das ferramentas mais utilizadas é a CRISPR-Cas9, na qual uma molécula de RNA funciona como guia para identificar o trecho do DNA a ser modificado e direcionar a enzima Cas9, que atua como uma “tesoura molecular” cortando o DNA no ponto indicado.



