Os americanos escolherão os ocupantes das 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e de 35 das 100 vagas do Senado, em votação que pode encerrar o controle republicano das duas Casas e criar obstáculos ao governo de Donald Trump nos últimos anos do mandato. Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o principal canal de impacto para o Brasil é o fluxo de capital, com reflexos diretos no dólar, nos juros e na bolsa.
Bruna Allemann, head de investimentos internacionais da Nomos, projeta vitória democrata na Câmara e disputa indefinida no Senado, resultado já esperado pelos investidores e que pode limitar reações bruscas dos mercados. Ela afirma que um Congresso dividido pode favorecer um dólar mais fraco no exterior e ajudar o real, mas alerta que um presidente travado tende a governar mais por decreto e política externa, tornando tarifas mais imprevisíveis.
Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, ressalta que o fator local está pesando mais no mercado brasileiro após as eleições locais, mas reconhece que uma vitória democrata tende a favorecer emergentes por reduzir impulso fiscal e gastos nos EUA. Segundo ela, isso poderia aliviar os juros americanos, atrair capital a países emergentes, valorizar o real e derrubar juros futuros no Brasil, embora com pouca força.
Sung destaca como risco adicional uma eventual contestação do resultado pelo presidente americano, o que aumentaria a aversão ao risco e pressionaria moedas emergentes, incluindo o real. No entanto, Allemann afirma que o Fed pesa mais que a eleição na determinação do fluxo de recursos.


