A diplomacia brasileira considera sem viabilidade jurídica ou política a tentativa de Flávio Bolsonaro (PL) de se autoproclamar uma espécie de "líder paralelo" do Brasil. A análise foi divulgada pela analista de política Isabel Mega durante o Live CNN desta quinta-feira (29), com base em consultas a fontes do Palácio do Itamaraty antes e depois da veiculação das cartas assinadas pelo senador.
Segundo a analista, o Itamaraty já monitorava os movimentos do grupo bolsonarista antes mesmo da publicação das cartas e traçava possíveis respostas. Uma das hipóteses mencionadas pelas fontes seria a evocação da lei da reciprocidade contra os Estados Unidos, caso a gestão de Donald Trump apoiasse o discurso do bolsonarismo.
O contexto internacional também influencia o caso, pois a situação do bolsonarismo nos EUA ganha espaço devido ao cenário doméstico de Donald Trump próximo às eleições de meio de mandato. Para Isabel Mega, a equipe de Trump e Marco Rubio poderia utilizar as eleições brasileiras para gerar agitação e contestação de resultados nas urnas dos Estados Unidos.
A analista alertou ainda para o risco de Flávio Bolsonaro se tornar, para Donald Trump, o que Carla Zambelli representou para Jair Bolsonaro em 2022, episódio que pesou negativamente junto ao eleitorado brasileiro na véspera do segundo turno. Além disso, a mudança nas versões da carta — de "presidente eleito do Brasil" para "verdadeiro líder do Brasil" — indicou à diplomacia que a tentativa de instalar um governo paralelo, nos moldes de Juan Guaidó na Venezuela, não obteve o resultado esperado.



