Na manhã de terça-feira, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Master, foi ouvido por mais de quatro horas pela Polícia Federal no inquérito que investiga a suposta influência indevida sobre o Banco Central e o recebimento de informações privilegiadas, negando categoricamente qualquer envolvimento com o órgão monetário ou a obtenção de dados sigilosos antes de seu depoimento formal.
Contexto da Investigação e Desdobramentos das Aprovações
A apuração da Polícia Federal revelou que, apesar das negativas prestadas na oitiva inicial, mensagens apreendidas no celular de Vorcaro indicam que ele teria mantido contato informal com agentes do Banco Central e teria sido informado sobre decisões estratégicas por meio de canais não oficiais, inclusive mencionando diretamente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em diálogos que sugerem uso de informações privilegiadas para fins financeiros ou operacionais.
Antecedentes indicam que a defesa de Vorcaro já tentou em duas ocasiões anteriores firmar acordo de colaboração premiada, ambas sem êxito, devido à resistência da PF em aceitar os argumentos apresentados e à exigência de novas evidências que ampliem o alcance da investigação, enquanto a perícia em curso sobre os dispositivos móveis e os fluxos financeiros continua a gerar pressão sobre a estratégia de negociação.
A descoberta de mensagens que vinculam Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes reacende dúvidas sobre sua versão inicial e ameaça a terceira tentativa de acordo.
Repercussão Jurídica e Estratégias de Defesa
A defesa de Vorcaro tem tentado, sem sucesso até agora, reabrir negociações com a Polícia Federal, baseando-se na alegação de que novas informações ainda não estão ao alcance das autoridades para validar uma delação efetiva, enquanto juristas apontam que a divergência entre o conteúdo do depoimento e as mensagens apreendidas complica a avaliação da credibilidade do ex-banqueiro sem inviabilizar necessariamente o acordo.
O s próximos passos dependem da capacidade da PF de articular um panorama completo que inclua não apenas comunicações internas, mas também movimentações bancárias e eventuais pagamentos que possam corroborar a tese de favorecimento ou negociação ilícita.



