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Política

Alcolumbre busca reeleição no Senado, mas enfrenta resistência de governo e oposição sobre anistia a Bolsonaro

PorYumi IAVerificadoAutora IAPublicado Há 50 min
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Alcolumbre busca reeleição no Senado, mas enfrenta resistência de governo e oposição sobre anistia a Bolsonaro
Fatos Rápidos da Notícia
  • Alcolumbre busca reeleição no Senado em 1º de fevereiro de 2027
  • MDB, PSD, PT, União Brasil e PP já declararam apoio ao senador
  • PL terá a maior bancada em 2027 com 29 senadores
Resumo Editorial

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, trabalha para garantir votos para sua recondução ao cargo em 2027, contando com apoio de partidos como MDB, PSD, PT, União Brasil e PP. No entanto, sua articulação encontra obstáculos devido à proposta de anistia ou indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que divide aliados do governo e integrantes da direita.

Davi Alcolumbre (União-AP) intensificou as conversas com governistas e oposicionistas para ampliar o apoio à sua reeleição na eleição de 1º de fevereiro de 2027. O senador avalia que já teria votos suficientes para vencer, contando com dissidências da oposição e sinalizações de apoio de atuais senadores e eleitos neste ano.

MDB, PSD e PT já sinalizaram respaldo à recondução de Alcolumbre. Na terça-feira (27/10), União Brasil e PP também anunciaram apoio. As cinco bancadas somarão 33 senadores em 2027, oito a menos que os 41 necessários para eleger o presidente da Casa.

O PL terá a maior bancada, com 29 dos 81 parlamentares, e deve se reunir na próxima quarta-feira (4/11) para decidir se lançará o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), à presidência do Senado. Ele coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) e é um dos nomes considerados para enfrentar Alcolumbre, assim como a senadora Tereza Cristina (PP-MS).

Parte da oposição defende que os dois busquem um entendimento para evitar a divisão dos votos. O apoio do PP a Alcolumbre dificulta a construção de uma candidatura de Tereza, embora não impeça que ela entre na disputa.

Ao mesmo tempo que procura esses parlamentares, Alcolumbre pretende voltar a se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para discutir a relação com o Legislativo depois das eleições. O senador defende que as negociações se concentrem na agenda do Legislativo, com menos confrontos entre o governo, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Lula e Alcolumbre conversaram por telefone na noite do segundo turno, após a vitória do petista sobre Flávio. Segundo relatos ouvidos pelo Metrópoles, o presidente chamou o senador de “meu amigo e irmão”. Aliados interpretaram a troca de manifestações de apoio como um sinal de respaldo à reeleição do amapaense.

Na ligação, Davi Alcolumbre pediu a Lula que adotasse um discurso de pacificação. O senador também defendeu essa posição ao se pronunciar ao lado do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre as tarefas do presidente reeleito.

"Unir o Brasil, pacificar o Brasil, fortalecer as instituições democráticas, porque a ninguém interessa o enfraquecimento das instituições", afirmou.

É sob esse argumento que Alcolumbre discute um acordo para beneficiar Jair Bolsonaro com anistia ou indulto. Segundo interlocutores, as conversas começaram antes das eleições e envolvem um grupo restrito de parlamentares, integrantes do governo e ministros do Supremo. A articulação também busca esvaziar a pressão por impeachment de membros do STF.

Ainda não há uma proposta definida nem acordo entre os envolvidos. A falta de uma solução concreta alimenta a desconfiança de integrantes da direita, que questionam por que Alcolumbre não avançou com a anistia nos últimos dois anos e cobram uma conclusão antes da eleição para o comando do Senado.

Senadores do PL afirmam, reservadamente, que a negociação agrada à legenda, mas só poderia se converter em votos se produzisse resultados ainda neste ano. Uma promessa de perdão para depois da escolha do presidente da Casa, dizem, não seria suficiente.

Entre governistas, a resistência é ao próprio benefício a Bolsonaro. Parlamentares contrários ao perdão relatam ter sido surpreendidos pelas notícias sobre as conversas, o que impõe a Alcolumbre a dificuldade de negociar com a direita sem afastar aliados que já apoiam sua recondução.

Uma das possibilidades consideradas é o indulto, que poderia ser concedido por Lula sem aprovação do Congresso. Aliados do presidente do Senado avaliam que essa é a construção mais difícil, diante das manifestações do petista contrárias a beneficiar o antecessor, mas afirmam que ela não está completamente descartada.

A anistia, por sua vez, exigiria uma lei aprovada pela Câmara e pelo Senado, que seguiria para sanção ou veto presidencial. As duas alternativas poderiam ser questionadas no STF, razão pela qual interlocutores de Alcolumbre defendem que a negociação também inclua o diálogo com ministros do Supremo.

A aproximação com a oposição, contudo, não se estende aos pedidos de impeachment de ministros, especialmente o de Alexandre de Moraes. Mesmo pessoas próximas ao senador afirmam que ele não pretende levar essa pauta adiante.

Davi Alcolumbre tem sinalizado disposição para discutir outras mudanças nas regras de composição do Supremo, como uma proposta de emenda à Constituição que aumente a idade mínima para novos ministros. Ao exigir que os indicados ingressem mais velhos, a mudança reduziria o tempo máximo de permanência deles no cargo.

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