Após o término do primeiro turno eleitoral, candidatos de ao menos três partidos relataram a impossibilidade de acesso às comunidades periféricas da capital paulista, impedidos por organizações criminosas vinculadas a aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que mantiveram um controle territorial que bloqueou a circulação de panfletos e a realização de comícios nas áreas periféricas. O fato ocorreu em um contexto de intensificação da atuação do crime organizado, que restringiu a movimentação de candidatos, especialmente os evangélicos, durante a fase final da campanha.
Contexto Institucional e Estratégias de Campanha na Periferia
A apuração realizada pela coluna evidenciou que o crime organizado, sob a égide de uma rede paralela de influência, impôs restrições à atuação dos candidatos nas zonas controladas por facções criminosas, com relatos vindos de parlamentares que destacaram a "orientação" dada por essas estruturas. A proibição se deu principalmente entre os aliados do governador Tarcísio de Freitas, cujas bases políticas foram alvo de intimidação e bloqueio físico, limitando a presença de candidatos em bairros como Maceió, Jardim Ângela e Cidade Tiradentes.
Além das restrições físicas, alguns estrategistas eleitorais adotaram medidas improvisadas, como a edição de panfletos com a foto e o número de Tarcísio riscados, em tentativa de burlar o cerco das organizações criminosas. O episódio revelou a complexidade da dinâmica política na periferia, onde a atuação do poder paralelo contrasta com as demandas reais dos eleitores e dos próprios candidatos.
O banho nas eleições limitou a atuação de candidatos evangélicos na periferia, resultando na perda de mandato de O seas e Elias de Madureira (PL), Edna Macedo (deputada estadual) e a vereadora Pastora Sanda Alves (União), que não se elegeu.
Repercussão Política e Desafios para o Governo
O governador Tarcísio de Freitas confirmou sua reeleição para um segundo mandato, previamente garantida em junho nos bastidores políticos, consolidando sua posição diante da resistência das forças criminosas que tentaram limitar a ação dos candidatos em áreas periféricas. Paralelamente, a equipe de segurança do presidente Lula impediu a contagem dos votos da USP para um ato em São Paulo, enquanto a Polícia Federal instaurou investigação sobre uma rifa destinada à aquisição de equipamentos para delegacias na região metropolitana.
Especialistas apontam que o fracasso dos candidatos evangélicos reflete uma descontinuidade na estratégia de campanha por parte dos partidos tradicionais, que não lograram adaptar suas táticas à realidade do poder paralelo nas periferias. O caso do vereador Alex Madureira, que manteve o nome 'de Madureira' após abandonar a Igreja Universal e dobrar sua votação com 122 mil sufrágios, demonstra que a conexão com instituições religiosas já não é condição suficiente para garantir vitória nesses territórios.



