Na manhã de 7 de agosto, durante almoço com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, o ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que São Paulo é a cidade com maior concentração de nordestinos no Brasil, em resposta a críticas do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que havia anunciado uma aliança entre os estados do Sul e Sudeste para mitigar perdas econômicas decorrentes do crescente peso político das regiões Nordestinas no âmbito da divisão do novo imposto único previsto na reforma tributária.
Contexto Institucional e Estratégia Política da Aliança Interestadual
A declaração de Bolsonaro, feita na Prefeitura de São Paulo sob registro oficial da cerimônia, evidencia tensão latente entre os dois aliados do partido PL, diante de divergências estratégicas sobre a configuração do novo regime tributário e a redistribuição de poder político entre as regiões brasileiras. A aliança proposta por Zema, que prevê integração operacional entre os estados do Sul e Sudeste para contrarrestar o peso demográfico e legislativo do Nordeste no Conselho Federativo, já havia sido alvo de reações adversas de lideranças nordestinas, que enxergam na iniciativa uma tentativa velada de fragmentar a unidade nacional.
Nos dias anteriores ao almoço em São Paulo, Zema havia declarado ao Estado de S. Paulo que o Nordeste vinha monopolizando o debate sobre a divisão do imposto único, ameaçando equilibrar as votações mesmo com população concentrada no Centro-Sul, enquanto Flávio Dino, então ministro da Justiça, classificou a proposta como estimulação ao separatismo por meio de postagem no Twitter.
São Paulo concentra 25% da população nordestina no Brasil, segundo dados do IBGE de 2023.
Repercussão Institucional e Desdobramentos do Confronto Ideológico
Flávio Dino acusou Zema de 'traidor da pátria' em postagem no Twitter sob a justificativa de que a articulação regional fomentaria o separatismo, embora o governador rebateu que sua proposta jamais visa diminuir outras regiões, mas sim promover sinergia entre unidades federativas com interesses comuns. A polarização entre os dois reforça um cenário de desgaste entre setores do próprio partido PL em relação à gestão do debate tributário e à definição de prioridades nacionais.
Especialistas em direito tributário apontam que a proposta de Zema visa otimizar a arrecadação e reduzir distorções na divisão dos recursos, mas ainda depende de aprovação legislativa e regulatória, com possibilidade real de veto presidencial ou ajustes técnicos que limitem seu escopo original sem comprometer a estabilidade institucional.



