Na quarta-feira (14), a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) formalizou a denúncia contra a Meta perante a O rganização dos Estados Americanos (O EA), alegando suspeita de interferência eleitoral por meio de práticas que restringem a divulgação de conteúdos políticos e apresentam distorções nas respostas da Meta AI em relação a candidatos, especialmente em solicitações referentes a Lula e Flávio Bolsonaro. Além da ação internacional, a equipe jurídica protocolou representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para apurar possíveis limitações no alcance de publicações políticas e à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), visando mapear eventuais violações à transparência e ao direito à informação em ambientes digitais.
Contexto Institucional e Estratégia Internacional da Denúncia
A denúncia foi coordenada pelo coordenador da campanha, Camilo Santana, com respaldo direto do ex-presidente Lula, que enquadrou o caso como questão de soberania democrática diante da influência desproporcional de plataformas tecnológicas sobre o processo eleitoral brasileiro. A denúncia à O EA representa uma escalada inédita no confronto entre governos e big techs, já que o órgão funciona como foro privilegiado para dirimir disputas entre Estados-membros sobre violações de normas democráticas, incluindo manipulação digital e abuso de poder nas redes sociais.
O caso também se apoia em investigações internas realizadas pela campanha, que identificaram relatos consistentes de usuários que, ao solicitar a geração de imagens políticas com menção a Lula, obtiveram recusas ou restrições inexplicáveis, enquanto solicitações equivalentes envolvendo Flávio Bolsonaro foram processadas sem impedimentos, levantando indícios de viés algorítmico que demandam análise técnica rigorosa por órgãos competentes.
A campanha acusa a Meta de criar um ambiente desigual na circulação política nas redes sociais, com restrições aplicadas seletivamente a candidatos presidenciais durante o pleito eleitoral.
Repercussão Legal e Desdobramentos Estratégicos
A decisão da campanha ocorreu após reunião com representantes de partidos e organizações da sociedade civil de 12 países — Argentina, Chile, Estados Unidos, Espanha, Reino Unido e Moçambique — que compartilham preocupações com o poder concentrado das big techs no cenário eleitoral global. Nesse encontro, Camilo Santana destacou que 'não podemos admitir essa interferência que está ocorrendo das big techs, principalmente da Meta, nessas eleições', reforçando a necessidade de mecanismos internacionais de fiscalização para garantir eleições livres e plurais.
A ANPD já recebeu representação formal para investigar se há violação à proteção de dados pessoais no tratamento de conteúdos políticos pelas plataformas da Meta, enquanto o TSE deve avaliar se as supostas limitações no alcance orgânico de publicações eleitorais configuram infração ao princípio da igualdade de condições em campanha eleitoral previstos na Lei dos Partidos.



