Em Buenos Aires, no dia 17 de setembro, o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) divulgou que a economia argentina registrou crescimento de 2,0% no segundo trimestre de 2024 em comparação com o mesmo período do ano anterior, superando projeções analíticas e reforçando os efeitos das políticas de ajuste fiscal implementadas pelo governo Milei.
Contexto Institucional e Dinâmica Econômica da Recuperação Trimestral
A análise dos dados revela que o desempenho econômico foi impulsionado principalmente pelo setor pesqueiro, que expandiu 45% em relação ao ano anterior, seguido pela mineração (16%) e pela combinação de agricultura, pecuária, caça e silvicultura (7%), enquanto as exportações subiram 14% e as importações caíram 9%, indicando um notável desequilíbrio na balança comercial.
O recuo da inflação, que antes ultrapassava os três dígitos percentuais no início do mandato, permite ao governo avançar com medidas de contenção do déficit orçamentário, embora o PIB tenha registrado, em termos sazonais ajustados, queda de 0,6% no trimestre em relação ao primeiro, configurando a primeira contração trimestral após dois meses consecutivos de expansão.
O crescimento de 2,0% no PIB do segundo trimestre representa o maior avanço anual desde 2021 e supera projeção de analistas que estimavam 1,6% para o período abril a junho.
Repercussão Política e Desafios de Sustentabilidade Fiscal
O ministro da Fazenda, Silvina Batakis, declarou que as medidas de contenção do gasto público e a reestruturação da dívida externa têm sido fundamentais para a estabilização macroeconômica, embora reconheça que a recuperação ainda depende da manutenção da confiança dos investidores internacionais.
Especialistas apontam que a trajetória de crescimento, ainda que positiva, deve enfrentar obstáculos caso a disciplina fiscal seja relaxada ou a pressão por renegociação de encargos externos intensifique-se nos próximos meses.



