A detecção do vírus da doença de Newcastle em perus no Brasil gerou restrições comerciais que atingem aproximadamente 21 mil toneladas de carne de frango, volume considerado administrável pelo setor, segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin. Para o dirigente, a regionalização adotada pelo governo brasileiro foi fundamental para limitar os efeitos econômicos do episódio.
Santin afirmou que o novo registro está dentro do raio de vigilância estabelecido pelas autoridades sanitárias e é resultado das ações de monitoramento realizadas pelo Ministério da Agricultura e pela Cidasc. O presidente da ABPA ressaltou que não houve manifestação da doença nas aves e que a notificação foi realizada em cumprimento às regras internacionais das quais o Brasil é signatário.
O dirigente comparou os efeitos do episódio atual com o registrado em 2024, quando um foco da doença foi identificado no Rio Grande do Sul. Na ocasião, segundo ele, o Brasil deixou de exportar, em média, 166 mil toneladas por mês. Agora, as restrições comerciais representam aproximadamente 21 mil toneladas.
De acordo com Santin, apenas Malásia e Uruguai mantêm restrições às importações de produtos avícolas de todo o território brasileiro. Outros países adotaram restrições direcionadas a Santa Catarina, mas o presidente da ABPA avalia que as empresas conseguem redirecionar parte das cargas para destinos que continuam comprando produtos brasileiros.
Outro ponto levantado por Santin foi a necessidade de discutir, no âmbito internacional, os critérios de notificação da presença do vírus da Newcastle. Segundo ele, a entidade pretende levar o tema à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), com o argumento de que a identificação do agente, sem manifestação clínica da doença, não deveria necessariamente gerar as mesmas consequências comerciais.
Em relação ao mercado interno, Santin descartou risco de desabastecimento de carne de peru para as festas de fim de ano. Segundo ele, aproximadamente 40 mil aves passaram por abate sanitário, mas o volume é pequeno diante da capacidade de produção nacional.
