O Senado do Paraguai condenou o então presidente Fernando Lugo em junho de 2012 por meio de um impeachment considerado relâmpago, que foi instaurado e concluído em menos de 36 horas. Lugo, ex-bispo católico e socialista, foi considerado culpado por mau desempenho no exercício de suas funções, especialmente devido às dificuldades para implementar a reforma agrária.
A crise se intensificou em 15 de junho, quando um confronto entre policiais e camponeses sem-terra no leste do país resultou em 17 mortes. Após substituir o chefe da polícia e o ministro do Interior, Lugo perdeu o apoio do Partido Liberal, levando a Câmara dos Deputados a votar o impeachment com 76 votos a favor e um contra.
No dia seguinte, a defesa do presidente teve apenas duas horas para contestar as acusações de incompetência, e o Senado aprovou o afastamento por 39 votos a quatro. Lugo declarou que a história e a democracia paraguaias foram profundamente feridas e solicitou à Suprema Corte a anulação do processo.
Países como Brasil, Chile, Venezuela e Uruguai retiraram seus embaixadores do Paraguai em resposta à remoção do presidente. O então secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, afirmou que a rapidez do processo foi extremamente lamentável e criou uma aura de ilegitimidade.



