Em operação coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime O rganizado (Gaeco) e pela Corregedoria da Polícia Civil, cinco suspeitos — três policiais civis, um advogado e um empresário — foram detidos sob acusação de integrar esquema de corrupção sistemática envolvendo a liberação fraudulenta de caminhões com eletrônicos descaminhados, mediante cobrança de propina equivalente a 70% do valor estimado da carga.
Mecanismos e Dinâmica do Esquema Corruptivo
A investigação do Gaeco, com apoio da Corregedoria da Polícia Civil, identificou que agentes interceptavam caminhões carregados com eletrônicos importados em desconformidade com a legislação aduaneira, exigindo propina entre 70% e 100% do valor estimado da mercadoria antes de conceder liberação ou escolta ostensiva para evitar nova fiscalização. Entre junho e dezembro de 2024, foram documentadas pelo menos quatro ocorrências desse padrão, com vantagens indevidas somadas a R$ 2,35 milhões, segundo relatório técnico obtido pela coluna.
Antecedentes revelam que os policiais civis utilizavam informações privilegiadas para programar abordagens estratégicas em horários de menor circulação policial, como no episódio ocorrido em Barueri em agosto de 2024, onde uma carga avaliada em US$ 191 mil (cerca de R$ 1,04 milhão) recebeu 'acerto' de R$ 700 mil, metade pago em espécie e o restante transferido para contas bancárias.
Quatro ocorrências entre junho e dezembro de 2024 resultaram em vantagens indevidas somadas a R$ 2,35 milhões
Repercussão Institucional e Desdobramentos Jurídicos
A Justiça determinou prisão preventiva dos investigados por suspeita de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com o advogado Sidiclei da Costa Almeida, apontado como intermediário das negociações, sendo alvo de medida cautelar que o impediu de intermediar novos atos até o julgamento final. A Polícia Civil confirmou que o policial Bruno Moreno dos Santos havia sido exonerado do cargo de secretário-adjunto de Segurança Urbana após a revelação de sua participação no esquema.
O s desdobramentos incluem a suspensão imediata de investigações em andamento envolvendo os envolvidos e a abertura de sindicância administrativa para apurar possível rede de proteção dentro da instituição. O Ministério Público Federal sinalizou a necessidade de investigar possíveis conexões com outras unidades federativas, enquanto o Gaeco deve encaminhar denúncia formal nos próximos dias.



