Com mais de 90% das urnas apuradas, emissoras israelenses projetaram que o bloco de Netanyahu, composto por partidos de direita, extrema-direita e ultraortodoxos, conquistou 53 das 120 cadeiras do Knesset, contra 48 do bloco do rival Gadi Eisenkot. A votação não deu maioria a nenhum dos lados, deixando a definição do próximo governo dependente de negociações complexas.
Partidos que representam árabes israelenses devem conquistar 19 cadeiras, um recorde, o que reduz as chances de Eisenkot chegar ao poder sem apoio desses grupos, algo rejeitado por muitos líderes judeus. Netanyahu permanecerá como primeiro-ministro interino durante as tratativas de coalizão e possivelmente até uma nova eleição no ano que vem.
Falando a apoiadores do Likud após as 3h da manhã, horário local, Netanyahu pediu a formação de “um governo nacional forte e de direita”. Ele destacou sucessos militares e mencionou a possibilidade de ação conjunta contra o Irã com Donald Trump, chamando-a de “oportunidade histórica única” para eliminar a ameaça iraniana “de uma vez por todas”.
Trump havia exortado eleitores israelenses a manterem Netanyahu no poder para que os dois líderes pudessem “concluir o trabalho” no Irã. O presidente dos EUA disse que Netanyahu se saiu “muito bem” e que seu apoio “o ajudou muito”.
A perspectiva de um governo interino sem maioria parlamentar afetou os mercados: o shekel se desvalorizou cerca de 1,6% e os principais índices da bolsa de Tel Aviv caíram mais de 3%.
Eisenkot reconheceu que Netanyahu continua como primeiro-ministro interino, mas alertou que ele poderia usar a segurança para fins políticos. “Apelo aos chefes das forças de segurança e do serviço público: Netanyahu é um primeiro-ministro interino, sem mandato nem a confiança do povo”, disse Eisenkot. “Mantenham-se firmes diante de qualquer tentativa de desafiá-los.”
O resultado reforçou a guinada para a direita entre judeus israelenses nos anos em que Netanyahu foi a figura política dominante do país. A centro-esquerda, que dominou Israel na primeira metade de sua história, foi reduzida a uma pequena minoria.
A eleição foi a primeira desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, que mataram 1.200 pessoas e fizeram 251 reféns, mergulhando Israel em guerras em Gaza, no Líbano e no Irã. A guerra em Gaza arrasou o território e matou 74 mil palestinos segundo autoridades de saúde locais.



