O Centro-O este brasileiro registra, pela terceira vez consecutiva, o dobro da média nacional de percepção sobre a seca prolongada, com 39% dos moradores apontando a escassez hídrica como o principal desafio do último ano, enquanto 63% identificam ondas de calor como evento climático predominante, evidenciando uma crise climática estrutural que exige respostas urgentes e coordenadas.
Diagnóstico Climático e Percepção Popular da Crise Hídrica
A pesquisa da Nexus, baseada em 2.000 entrevistas presenciais distribuídas geograficamente em todo o território nacional, revelou que a região Centro-O este apresenta índice de percepção de seca quase duas vezes superior à média brasileira, com 39% dos entrevistados classificando a falta de água como problema prioritário, dado que o índice médio nacional oscila em torno de 22%.
Além do déficit hídrico, 63% dos moradores relatam ondas de calor como fenômeno mais frequente - superando em quatro vezes a incidência de chuvas intensas (20%) e alagamentos (14%) -, enquanto 52% atribuem as alterações climáticas à ação humana, sinalizando forte consenso sobre a influência antrópica nos padrões meteorológicos.
Contrasta-se essa percepção com a baixa familiaridade com o fenômeno El Niño, já que 40% dos entrevistados não o reconhecem e outros 21% demonstram conhecimento parcial, embora 53% tenham intensificado sua preocupação após receberem explicação técnica sobre suas implicações.
Mais da metade dos habitantes do Centro-O este reconhece mudanças climáticas significativas, refletindo uma realidade de calor extremo e escassez hídrica que atinge quase 4 em cada 10 pessoas
Repercussão Institucional e Desafios para a Governança Hídrica
O Ministério da Fazenda e a Secretaria de Recursos Hídricos mantêm postura técnica cautelosa, ressaltando que as metas de segurança hídrica previstas no Programa Nacional de Água (PNA) não foram cumpridas nas regiões críticas do Cerrado e Pantanal, onde o déficit hídrico compromete abastecimentos urbanos e agrícolas.
Autoridades municipais reconhecem publicamente a insuficiência das infraestruturas de captação e distribuição, com 61% dos moradores avaliando como inadequada a preparação local para eventos extremos, enquanto o setor agrícola pressiona por políticas de irrigação sustentável e reservatórios estratégicos.



