Na madrugada de terça-feira (29/9), o policial civil Rafael Juergen Schult, lotado no 78º Distrito Policial de Jardins, foi liberado após a decisão da Justiça paulista não renovar sua prisão temporária de cinco dias, medida que havia sido inicialmente solicitada pela Corregedoria Geral da Polícia Civil para investigar sua suposta participação em uma milícia armada que sequestra e extorce comerciantes e criminosos.
Contexto Investigativo e Antecedentes da Apuração
A apuração da Corregedoria Geral da Polícia Civil aponta que Schult atuava como líder de um grupo armado que utilizava veículos falsos da Corporação, identificáveis apenas por insígnias genéricas, para abordar vítimas sob a premissa de prenderem suspeitos de tráfico. Em pelo menos duas ocorrências documentadas, o bando rendia indivíduos, algemava-os e os conduzia a veículos como uma Chevrolet Trailblazer, onde realizavam extorsões; segundo depoimento da vítima, um saco plástico contendo rapadura era apresentado como suposta droga, configurou-se um esquema de fraude que envolvia até mesmo negociações simuladas pela internet.
O inquérito policial, instaurado sob coordenação da Corregedoria, também investiga a participação do colega Milton Massaru Nakayama, conhecido como 'Japa', preso em 22 de agosto por suposto envolvimento no mesmo esquema criminoso. O s fatos revelam um padrão de abuso de poder policial, com uso sistemático de credenciais institucionais para fins ilícitos, configurando violação à legalidade e à confiança pública na instituição.
Rafael Schult responde por ao menos duas sequestros mediante fraude com falsas viaturas da Polícia Civil, configurando conduta de milícia armada.
Repercussão Institucional e Desdobramentos Jurídicos
A decisão da Justiça de não renovar a prisão temporária ocorreu após atraso na formalização do pedido pela autoridade competente, o que permitiu ao policial evadir-se do presídio da Polícia Civil e permanecer foragido. Com a legislação eleitoral em vigor — que proíbe prisão de presos cinco dias antes ou 48 horas após o pleito, salvo em casos de flagrante delito ou sentença condenatória — Schult está protegido até o dia 6 de outubro, quando o primeiro turno das eleições será realizado.
A Corregedoria Geral da Polícia Civil mantiene a denúncia formal contra o agente, solicitando sua prisão preventiva por tempo indeterminado sob a acusação de integrar organização criminosa com uso de documentos e veículos falsos para extorsão. Enquanto isso, o Ministério Público e a Defensoria Pública permanecem em silêncio oficial; a defesa de Schult não se manifestou publicamente até a data desta publicação.



