A Moonshot, startup chinesa de inteligência artificial, encontra-se em fase avançada de negociação para celebrar acordos de compartilhamento de receita com as norte-americanas Microsoft, Amazon e Google, visando disponibilizar seu modelo Kimi K3 em seus respectivos serviços de nuvem, em movimento que representa o primeiro pacto de partilha de receita entre uma empresa chinesa de IA e as big techs estadunidenses, segundo apuração da Reuters.
Contexto Institucional e Estratégico das Negociações
As tratativas, ainda em estágio incipiente e sem garantias formais de acordo, envolvem discussões sobre divisão de receitas, acesso a dados e auditoria do uso de tokens, conforme revelado por três fontes próximas ao processo que falaram à agência Reuters; o modelo Kimi K3, lançado em meados de julho, posiciona-se como o maior sistema de IA aberto do mundo e demonstra desempenho comparável ao Fable da Anthropic, tecnologia que já foi alvo de suspeitas de plágio e violação de propriedade intelectual por parte das autoridades dos Estados Unidos.
As pressões geopolíticas e a corrida tecnológica entre EUA e China se intensificam com a ascensão dos modelos chineses de IA abertos, que têm conquistado espaço no mercado norte-americano por sua competitividade em preço e acessibilidade, enquanto Pequim aposta em soluções descentralizadas e a administração Trump mantém postura restritiva em relação à aquisição de tecnologias sensíveis por atores chineses.
A Moonshot busca até 30% de participação na receita gerada pelo serviço Kimi K3 hospedado nas nuvens das big techs americanas.
Repercussão Legal e Desdobramentos Estratégicos
O governo dos Estados Unidos já sinalizou risco de incluir a Moonshot na 'lista negra' comercial por suposto plágio do Fable da Anthropic e pela suposta aquisição ilegal de chips Nvidia, conforme declaração do secretário do Tesouro, Scott Bessent, que alertou para a possibilidade de sanções comerciais caso as acusações sejam confirmadas.
Com a proposta de IPO iminente da Moonshot e o potencial fechamento de acordos com as principais plataformas de nuvem dos EUA, o desdobramento futuro dependerá da aprovação regulatória americana e da concretização dos termos contratuais, enquanto a indústria global acompanha atentamente os desdobramentos da guerra tecnológica entre as grandes potências digitais.
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