No Diário O ficial da União, em edição extra publicada em 16 de outubro, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que elimina a tradicional escala 6×1 de trabalho e institui dois dias de folga semanais aos trabalhadores foi oficialmente publicada, marcando o fim de uma das principais bandeiras da campanha eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva e representando a primeira alteração na jornada laboral no Brasil desde a promulgação da Constituição Federal de 1988.
Contexto Institucional e Histórico da Medida
A publicação da PEC no DOU configura etapa formalizadora do processo legislativo, após aprovação em plenário no Senado e na Câmara dos Deputados, com forte suporte político do governo federal e alinhamento com demandas sindicais historicamente insatisfeitas; a norma estabelece a redução do limite máximo semanal de trabalho de 44 para 42 horas, com possibilidade imediata de implementação das duas folgas semanais, enquanto a transição para a jornada de 40 horas será efetivada progressivamente até dezembro de 2027, conforme cronograma fixado em texto constitucional.
O texto da emenda também prevê flexibilidade para acordos coletivos que definam outras formas de organização da jornada, contanto que garantam, ao menos, duas folgas mensais por trabalhador e proíbam a exigência de jornadas completas sem intervalo de descanso, reforçando direitos fundamentais já consagrados na Constituição, mas até então regulamentados apenas por leis ordinárias.
A mudança representa o primeiro ajuste na jornada de trabalho no Brasil em quase quatro décadas, desde a promulgação da Constituição Federal de 1988.
Repercussão Jurídica e Posicionamentos
Autoridades públicas e representantes sindicais celebraram a medida como avanço histórico na proteção dos direitos trabalhistas, com o Ministério do Trabalho destacando que a norma incorpora princípios da O rganização Internacional do Trabalho (O IT) e deve reduzir o risco de sobrecarga ocupacional e doenças profissionais; ao mesmo tempo, setores produtivos, como indústria e comércio varejista, manifestaram preocupação com a viabilidade operacional da redução do horário sem ajustes estruturais no modelo de negócios.
Especialistas em direito do trabalho apontam que a transição para 40 horas semanais exigirá negociação coletiva detalhada e mayoração gradual dos prazos, enquanto o presidente Lula afirmou que 'a dignidade do trabalhador é prioridade nacional', reforçando o compromisso governamental com a reforma do regime trabalhista.



