Na segunda-feira (7/8), durante almoço com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) rebateu críticas sobre a composição étnica da capital, destacando que São Paulo é a cidade com maior concentração de nordestinos no país, em resposta indireta às propostas do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
Contexto Institucional e Reação à Proposta de Reorganização Federativa
A declaração do ex-presidente ocorreu em ambiente institucional, após questionamento sobre a influência política dos nordestinos na reforma tributária em discussão no Congresso Nacional, onde Romeu Zema havia anunciado uma frente intergovernamental entre os estados do Sul e Sudeste para garantir representatividade equitativa na divisão do novo imposto único, previsto na reforma tributária aprovada em dezembro de 2023.
O governador mineiro defendia a aliança regional como mecanismo para equilibrar poderes no Conselho Federativo, que passará a definir a distribuição de receitas do novo regime tributário, enquanto críticos, como o ministro da Justiça Flávio Dino, interpretaram a iniciativa como tentativa de desestabilizar o modelo federativo vigente.
São Paulo concentra 25% da população nordestina no Brasil, segundo dados do IBGE de 2023.
Repercussão Política e Desafios à Coesão Nacional
O ministro da Justiça Flávio Dino classificou Romeu Zema como 'traidor da pátria' em post no Twitter, alegando que a proposta incentivava o separatismo, ao que o governador rebateu categoricamente afirmando que sua iniciativa jamais visava diminuir outras regiões, mas sim promover soma de esforços entre unidades federativas.
A controvérsia expõe tensões latentes entre modelos de governança regionais e o princípio constitucional da unidade nacional, com implicações diretas na configuraciónem do Conselho Federativo do novo imposto único e no equilíbrio político entre regiões do país.



