O governo federal rebateu a narrativa de que a insuficiência das receitas decorrentes da tributação de ganhos de capital e dividendos compromete a manutenção da compensação fiscal prevista para a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, destacando que a renúncia orçamentária segue amparada por outras receitas orçamentárias, conforme esclarecido pela equipe econômica. O ministro Bruno Moretti, responsável pelo Planejamento, reafirmou que a compensação fiscal permanece como estratégia central de neutralidade e progressividade tributária, apesar da revisão para baixo na projeção da arrecadação com o novo tributo. A estimativa atual de receitas com a tributação sobre lucros e dividendos é de R$ 10,5 bilhões em 2026, valor significativamente inferior à projeção inicial de R$ 29 bilhões anunciada no início do ano, embora ainda assim suficiente para cobrir parte do custo estimado em R$ 28,04 bilhões da ampliação da faixa de isenção. A análise foi realizada no contexto do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre, que aponta uma arrecadação total de R$ 940,4 bilhões, superando a meta orçamentária de aproximadamente R$ 924 bilhões prevista no Projeto de Lei O rçamentária Anual 2026.
Contextualização O rçamentária e Revisão das Projeções Fiscais
A revisão da projeção da arrecadação com a tributação sobre lucros e dividendos reflete ajustes decorrentes de decisões judiciais não previstas inicialmente, conforme destacado pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Ceron, durante divulgação do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre. A nova estimativa de R$ 10,5 bilhões em receitas com o imposto é significativamente inferior à meta original de R$ 29 bilhões, apontando para uma frustração sistêmica das receitas esperadas. Apesar dessa redução, o governo mantém que a compensação fiscal para a ampliação da faixa de isenção do IR permanece viável, sustentada por outras fontes orçamentárias e pela estrutura prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal.
Além disso, o custo fiscal da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda está estimado em R$ 28,04 bilhões para o exercício de 2026, conforme cálculos técnicos do Ministério da Fazenda. Esse valor representa uma renúncia orçamentária significativa que, embora reconhecida como desafio estrutural, é considerada gerenciável dentro do arcabouço institucional vigente. A equipe econômica reiterou que a estratégia tributária adotada busca equilibrar progressividade fiscal com estabilidade orçamentária, mesmo diante da volatilidade nas receitas decorrentes de interpretações judiciais sobre a incidência dos tributos sobre ganhos e dividendos.
A frustração na arrecadação com tributação sobre ganhos e dividendos atinge R$ 18,5 bilhões em relação à projeção inicial de R$ 29 bilhões prevista no início do ano.
Repercussão Técnica e Perspectivas Institucionais
O Ministério da Fazenda informou que a tributação sobre dividendos entrará em 'voo de cruzeiro' em 2027, com expectativa de alcançar o patamar inicialmente previsto de arrecadação após ajustes legais e operacionais. Essa previsão sugere que as pressões fiscais atuais são temporárias e que o sistema tributário será recalibrado para garantir compliance com as metas orçamentárias a médio prazo. A equipe econômica ressaltou que as mudanças legislativas necessárias para corrigir as distorções identificadas serão implementadas no próximo biênio fiscal.
Ainda assim, especialistas apontam que a diferença entre as projeções iniciais e atuais expõe vulnerabilidades na modelagem fiscal frente a decisões judiciais unilaterais. O custo líquido da renúncia fiscal permanece elevado em R$ 28,04 bilhões para 2026, exigindo cautela redobrada na gestão das contas públicas. A discussão permanece aberta quanto à necessidade de revisão das alíquotas ou ajustes nas isenções para garantir sustentabilidade orçamentária futura.



