Em 22 de abril de 2020, durante reunião ministerial, Ricardo Salles, então ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro e atual candidato ao Senado por São Paulo pelo partido Novo, defendeu publicamente a adoção de uma política de "passar a boiada" para desburocratizar procedimentos em todos os ministérios, com foco na facilitação ao empreendedorismo e aos investimentos, em clara contramão das políticas ambientais vigentes.
Contexto Institucional e Histórico da Medida
A declaração de Salles ocorreu em um momento de grave crise sanitária, quando a imprensa nacional concentrava-se na pandemia de Covid-19, gerando uma janela propícia para a aprovação de mudanças regulatórias sem amplo escrutínio público.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento na Amazônia subiu de 7,5 mil km² em 2018 para mais de 13 mil km² em 2021, indicando um agravamento significativo do problema ambiental durante a gestão do ex-ministro, que agora enfrenta investigação por suposto envolvimento em esquema de facilitação ao contrabando de madeira ilegal.
Entre 2018 e 2021, o desmatamento na Amazônia duplicou-se, ultrapassando 13 mil km² anuais sob a gestão de Ricardo Salles como ministro do Meio Ambiente.
Repercussão Jurídica e Posicionamentos
A Justiça Federal acusa Salles de participar de esquema para facilitar o contrabando de madeira extraída da Amazônia, embora ele negue categoricamente as alegações, afirmando que a narrativa de desmonte ambiental foi construída pela imprensa e por setores contrários ao governo Bolsonaro.
Salles reforça que sua proposta visava modernizar regras contraditórias em âmbito amplo, não apenas ambiental, mas críticos apontam que a coincidência entre seu discurso e o aumento do desmatamento levanta suspeitas sobre sua conduta no cargo público.



