A dona de um restaurante localizado próximo ao Paranoá, no Distrito Federal, tornou-se alvo de boicote após divulgar seu voto em Lula nas eleições de 2026. Segundo a empresária, que administra o negócio desde 2017 e pediu anonimato por medo de novas retaliações, as ameaças começaram mesmo a postagem tendo sido feita em seu perfil pessoal e não nas redes sociais do estabelecimento.
O episódio se intensificou no sábado, 24 de outubro, véspera do segundo turno, quando ela percebeu uma queda no movimento e recebeu um alerta de um cliente sobre comerciantes da direita bolsonarista que estariam queimando seu estabelecimento por seu apoio a Lula. No domingo, 25 de outubro, as mensagens com tom boicotador continuaram, incluindo ofensas direcionadas a pessoas de esquerda e petistas, além de declarações diretas de que o comércio deveria fechar.
Apesar das ofensas, a empresária demonstrou esperança de continuidade do comércio, classificando o sentimento como raiva momentânea e acreditando que clientes que valorizam a qualidade dos produtos continuarão consumindo no local. Também surgiram comentários de apoio ao restaurante, elogiando a comida deliciosa, os preços justos e o ambiente agradável e familiar.
O caso ocorre em meio ao aumento de denúncias de assédio eleitoral recebidas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que registrou 115 denúncias apenas em 2026. O órgão investiga situações envolvendo discriminação e retaliação motivadas por escolhas políticas, inclusive incentivos para que empregadores demitam trabalhadores por causa do voto.



