Pelo menos três pessoas morreram, dezenas de casas foram danificadas e plantações, destruídas, após um ciclone potente atingir a costa leste da Índia, vindo da Baía de Bengala, nesta quarta-feira (28), trazendo chuvas intensas e ventos fortes, informaram as autoridades.
O ciclone Arnab, classificado pelo Departamento Meteorológico da Índia como uma "tempestade ciclônica muito severa" — a terceira categoria mais alta em sua escala —, atingiu o estado de Andhra Pradesh na manhã desta quarta-feira, com seu centro avançando, na sequência, para o interior do território, segundo a agência.
"Andhra Pradesh foi o estado mais afetado... três pessoas perderam a vida", disse a repórteres Narendra Singh Bundela, um alto funcionário da NDRF (Força Nacional de Resposta a Desastres).
Chuvas intensas e ventos fortes destruíram pelo menos 180 casas, derrubaram 220 árvores e interromperam o fornecimento de energia em várias áreas, relatou o ministro-chefe de Andhra Pradesh, N. Chandrababu Naidu, em uma carta ao ministro do Interior federal, Amit Shah, na qual o atualizou sobre a situação.
Duas das mortes foram causadas pela queda de uma árvore e por eletrocussão, informaram à agência de notícias Reuters autoridades do gabinete de Naidu.
O estado vizinho de Odisha não foi tão gravemente atingido, disse Bundela, acrescentando que a expectativa era de que a velocidade dos ventos diminuísse à medida que o ciclone avançasse para o interior.
Mais de 180 mil pessoas foram retiradas nos estados de Andhra Pradesh e Odisha antes da chegada do ciclone.
Algumas escolas foram fechadas, e serviços de trem e voos foram cancelados ao longo da costa leste.
Diversas equipes da NDRF e do estado estavam trabalhando nas áreas afetadas, afirmou Bundela, acrescentando que alguns estados vizinhos também poderiam ser atingidos por chuvas intensas.
Imagens de televisão mostraram árvores caídas em rodovias, enquanto trabalhadores, vestindo trajes de proteção contra a chuva, atuavam na remoção de galhos e folhas das vias.
"Ninguém sabia em qual casa a água entraria em seguida, ou qual residência acabaria submersa", disse Nagi, morador do distrito de Kakinada, em Andhra Pradesh.
"Árvores caíram, casas foram danificadas e todos os nossos pertences, incluindo nossos livros, foram destruídos", relatou Nagi, que não informou seu sobrenome.
Pescadores ao longo da costa foram aconselhados a não sair para o mar; o departamento meteorológico informou que prevê perdas nas plantações, bem como danos a casas com telhados de palha e a linhas de comunicação.
Estão previstos ventos de 125 km/h a 135 km/h, com rajadas de até 150 km/h.
Além disso, espera-se uma elevação do nível do mar de 1 a 1,5 metro acima da maré normal, o que provavelmente causará inundações em áreas baixas de Andhra Pradesh.
As operações em três aeroportos do estado foram suspensas, informou o Ministério da Aviação Civil da Índia.
Nepal suspende autorizações para trilhas
No vizinho Nepal, as autoridades suspenderam a emissão de autorizações para trilhas em áreas de alta montanha por três dias, devido ao risco de chuvas e nevascas causadas pelo ciclone, informou à Reuters Gita Ghimire, oficial de informações do Departamento de Imigração.
Este é o período de pico para a prática de trilhas no Nepal, com cerca de 750 excursionistas obtendo autorizações por dia.
Na terça-feira (27), o Nepal alertou os turistas para que evitassem se aventurar em áreas de grande altitude, diante do receio de que o ciclone Arnab pudesse provocar chuvas torrenciais, tempestades de neve e avalanches na região do Himalaia, entre a noite de quinta-feira (29) e sábado (31).
O Arnab formou-se sobre a Baía de Bengala, uma região importante para a ocorrência de ciclones tropicais, que já gerou tempestades mortais na costa leste da Índia.
Um superciclone que matou quase 10 mil pessoas ao atingir o estado de Odisha, em outubro de 1999, permanece como um dos desastres naturais mais letais do país.
A Índia, no entanto, desenvolveu ao longo dos anos sistemas de alerta precoce e medidas preventivas para minimizar a perda de vidas.



