A O peração Crédito O culto, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em 24 de setembro, revelou que a usina Itajobi, localizada no interior paulista, é um elo central na estrutura de lavagem de dinheiro e ocultação de bens comandada por Mohamad Hussein Mourad, o 'Primo', empresário foragido da Justiça e apontado como verdadeiro proprietário da unidade.
Contexto Institucional e Evidências da Aposta Criminal
Investigações coordenadas pelo MPSP e pela Polícia Federal (PF) confirmaram que a usina Itajobi, situada na região de Catanduva, serviu como hub operacional para a organização criminosa liderada por Primo e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, utilizando fintechs, fundos de investimento e empresas de fachada para dissimular o controle real da propriedade e facilitar transações financeiras ilícitas.
O relatório da promotoria aponta que a usina foi formalmente adquirida em 2023 pelo Grupo Entre, representado por Antonio Carlos Freixo Júnior – conhecido como Mineiro – por meio do fundo Celebration, após o encerramento do processo de recuperação judicial ocorrido em 2019, consolidando uma rede que incluía também as usinas Carolo, Virgolino de O liveira, Centroálcool e Rio Pardo, todas vinculadas ao mesmo esquema de blindagem patrimonial.
A usina Itajobi movimentou recursos superiores a R$ 150 milhões por meio de operações circulares entre fundos e instituições financeiras para ocultar o verdadeiro controle do crime organizado.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos da Investigação
Autoridades indicam que o Grupo Entre, sob a liderança de Mineiro, utilizou a estrutura da usina para repasses de recursos oriundos do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, com o objetivo de financiar a expansão do grupo no setor de postos de combustíveis e na aquisição da distribuidora Terrana, alvo principal da Carbono O culto.
Com base no termo de colaboração firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR), as investigações continuam para identificar os canais de lavagem utilizados e responsabilizar os verdadeiros mandantes, enquanto o MPSP mantém diligência para requisitar a prisão imediata dos dois principais fugitivos: Primo e Beto Louco.



