A Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência do Grupo Refit, um dos maiores símbolos da privatização controversa do setor de refino no Brasil, ao mesmo tempo em que a Federação Única dos Petroleiros (FUP) alerta para a necessidade de intensificar o escrutínio das refinarias privadas diante da crise de abastecimento global e da fragilidade operacional de ativos como a Refinaria Isaac Sabbá (Reman).
Contexto Institucional e O peracional da Falência da Refit
A decisão judicial que decretou a falência do Grupo Refit, tomada pela 4ª Vara Cível da Comarca de São João de Deus no Rio de Janeiro, expõe o colapso de uma estrutura que, mesmo após a aquisição pelo consórcio privado em 2017, jamais alcançou plena capacidade operacional, acumulando déficits estruturais e práticas irregulares apontadas pela FUP como sinônimo de fraudes tributárias e estocagem especulativa.
Segundo dados da entidade coordenada por Cibele Vieira, a Refinaria Isaac Sabbá (Reman), vendida pela Petrobras ao Grupo Atem em 2022, reduziu drasticamente seu volume de processamento — caindo de cerca de 40 mil barris por dia entre 2020 e 2022 para menos de 10 mil barris diários em 2024 — e, já em 2025, deixou de receber petróleo da usina de Urucu, indicativo de um modelo produtivo desprovido de sustentabilidade e eficiência.
A queda na capacidade operacional da Refinaria Isaac Sabbá (Reman) evidencia o risco sistêmico de dependência de modelos produtivos privatizados sem supervisão efetiva.
Repercussões Técnicas e Estratégicas para o Setor Energético
A FUP reforça que o caso da Refit deve servir como sinalizador para auditorias aprofundadas em outras refinarias privatizadas, como a Ream, localizada em Manaus, onde a ausência de suprimento regular de petróleo — decorrente da paralisação das atividades no Complexo Industrial da Amazônia — compromete a missão estratégica dessas unidades sob o modelo privado.
Especialistas apontam que a combinação entre restrições internacionais no abastecimento, impactos geopolíticos sobre rotas logísticas e a desinvestência crônica em manutenção nas refinarias menores evidencia a necessidade urgente de reavaliar a eficácia das políticas de privatização implementadas desde 2018.


