O Cantareira, maior reservatório da Região Metropolitana de São Paulo, registra 32,99% do volume útil em setembro, conforme os boletins da ANA e da SP Águas, situando-se na zona de alerta após uma queda de quase quatro pontos percentuais em relação ao mês anterior e mantendo-se abaixo do patamar considerado seguro para o abastecimento contínuo.
Contexto Hídrico e Desempenho do Sistema
A análise dos dados revela que o Cantareira, responsável por abastecer milhões de habitantes, iniciou setembro com 32,99% de armazenamento, um patamar crítico que evidencia a ausência de margem de segurança para eventuais restrições ou secas prolongadas. A queda registrada entre agosto e setembro, quando o volume útil diminuiu para níveis próximos dos 30%, ocorreu apesar da precipitação observada em agosto estar praticamente dentro da média histórica para o período, indicando que fatores além das chuvas — como evapotranspiração elevada, umidade residual do solo e condições operacionais — contribuem decisivamente para a perda acelerada do estoque hídrico.
Esse quadro se insere num contexto mais amplo de déficit acumulado desde fevereiro, quando o reservatório ultrapassou brevemente os 40%, seguido por uma estabilização em torno dos 40% até março. A partir de abril, entretanto, a vazão natural alimentando o sistema manteve-se abaixo da média histórica, enquanto as retiradas humanas aumentaram em torno de 30% em comparação com a média observada entre 2016 e 2023, acelerando o esgotamento do reservatório e reduzindo significativamente a capacidade de resposta às condições climáticas adversas.
O Cantareira mantém 32,99% do volume útil em setembro, com estoque reduzido a níveis críticos que ameaçam a segurança hídrica da capital paulista.
Repercussão Técnica e Diretrizes de Gestão
Autoridades como a ANA e a SP Águas mantêm postura técnica e coordenada, ressaltando que o sistema permanece sob monitoramento constante e que as medidas de contingência previstas nos protocolos de gerenciamento hídrico estão sendo acionadas conforme os critérios estabelecidos nos últimos boletins do Cemaden. O órgão enfatiza que a prioridade imediata é preservar a qualidade da água e evitar interrupções no abastecimento, adotando ajustes nas vazões liberadas e incentivando ações de economia por parte dos usuários sem ainda recorrer a racionamento obrigatório.
Especialistas apontam que o próximo trimestre será decisivo: se as chuvas da primavera forem consistentes e distribuídas de forma equilibrada pela bacia do Rio Guarapiranga e seus afluentes, é viável recuperar parcialmente o estoque até dezembro. Caso contrário, o Cantareira pode entrar em 2027 com déficit estrutural, exigindo novas intervenções estratégicas, como ampliação de investimentos em reuso hídrico ou ajustes no modelo de gestão demand-driven.



