Eduardo Farhat, head da La Caisse no Brasil e na América Latina, avaliou que o Brasil ocupa uma posição de desvantagem na corrida global pela inteligência artificial, embora ainda tenha condições de acelerar e recuperar terreno perdido. Em entrevista ao programa Café com Investidor, produzido pelo NeoFeed com a CNN Brasil, ele afirmou que o tema é tratado com muito mais intensidade fora do país do que dentro dele.
Segundo Farhat, a inteligência artificial se tornou quase essencial para a viabilidade de países e de setores inteiros da economia. A La Caisse possui investimentos no segmento, incluindo data centers e transmissão, áreas marcadas por grande volatilidade e capazes de atrair volumes expressivos de capital.
O executivo destacou que o Brasil conta com ativos relevantes nesse contexto, como abundância de energia, mão de obra disponível e conectividade. Ele ressaltou ainda que o acesso a fontes renováveis tornou-se uma exigência nos contratos de data centers, dada a centralidade da energia para o funcionamento da infraestrutura de IA.
Sobre a atratividade do Brasil para o capital estrangeiro, Farhat citou a frase: "O Brasil nunca é tão ruim quanto dizem, nem tão bom quanto parece." Para ele, o país demanda constância e paciência dos investidores, que costumam se sair mal ao tentar cronometrar o mercado brasileiro.
Sua estratégia é voltada para o longo prazo, mirando fluxos de caixa de 20 a 30 anos. Ele mencionou reformas estruturantes recentes, como a reforma da previdência, a nova lei do trabalho, a lei do gás, a lei do saneamento, a lei da liberdade econômica e a independência do Banco Central, como sinais positivos de competitividade.
No entanto, alertou que o problema fiscal do país, que mantém a taxa de juros elevada, precisa ser endereçado independentemente de orientação política. Segundo ele, resolver essa questão criaria um círculo virtuoso para a economia brasileira.



