A partir deste sábado (7), entra em vigor a interoperabilidade de bandeiras para vales refeição e alimentação, prevista em decreto do governo federal lançado em novembro de 2025 para modernizar o Programa de Alimentação do Trabalhador. A medida deveria permitir que qualquer maquininha de cartão aceite pagamentos com esses benefícios.
No entanto, empresas ouvidas pelo CNN Money relatam despreparo técnico para viabilizar a aceitação ampla dos cartões já neste momento. Any Genovez, diretora jurídica da Swile Brasil, afirma que o mercado parece não estar pronto para essa mudança. Arthur Gouvea de Freitas, sócio do iFood e CEO do iFood Benefícios, avalia que a interoperabilidade depende de uma estrutura maior para funcionar.
O decreto também previa limitar a 3,5% as taxas cobradas pelas operadoras aos estabelecimentos e exigir que empresas do arranjo fechado migrassem para o regime aberto, mudanças que deveriam valer desde maio. Segundo pesquisa Ipsos-Ipec de 20 de agosto de 2026, as taxas cobradas dos restaurantes subiram de 5,19% para 6,18% em um ano e a abertura dos arranjos não evoluiu.
A Up Brasil esclarece que os cartões não passarão a ser aceitos automaticamente em qualquer estabelecimento porque a interoperabilidade plena depende de definições técnicas e operacionais ainda não estabelecidas. A ABBT reconhece que a efetivação depende de orientações claras e alinhamento entre credenciadoras, bandeiras, estabelecimentos e empresas de benefícios.
