O coordenador da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RN), Rogério Marinho, defendeu a retirada dos sigilos da investigação sobre o filme Dark Horse, que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro, e de outros inquéritos no Supremo Tribunal Federal, incluindo fraudes no INSS, orçamento secreto e fake news, após alegar que a produção Go Up apresentou mais de 25 mil documentos e recibos ao ministro relator André Mendonça como prova de transparência financeira. O senador, formalmente investigado por lavagem de dinheiro no caso Dark Horse, nega qualquer vínculo com o financiamento do projeto e sustenta que sua única participação foi a solicitação de patrocínio. A iniciativa ocorre em um contexto de intensificação das apurações judiciais sobre atos relacionados à gestão pública e à arrecadação política durante o governo Bolsonaro.
Contexto Institucional e Estratégia de Defesa
A campanha de Flávio Bolsonaro tem articulado uma ofensiva jurídica para anular o sigilo de inquéritos que tramitam no STF, com foco especial no caso Dark Horse, que apura supostos desvios financeiros vinculados à produção do documentário que homenageia Jair Bolsonaro. Segundo Rogério Marinho, as investigações representam uma tentativa de perseguição política, embora os registros indicam que a operação policial originou-se de suspeitas de lavagem de dinheiro e uso indevido de verbas públicas. A defesa se baseia em alegações de ausência de comprovação técnica quanto à efetiva transferência de recursos para a cinebiografia.
Nos bastidores da apuração, fontes próximas ao ministério relator André Mendonça confirmam o recebimento de mais de 25 mil documentos fiscais, recibos e notas emitidas pela produtora Go Up, que atuou como fornecedora do filme. Esse volume de material foi apresentado com a finalidade declarada de demonstrar a independência financeira do projeto, embora especialistas em direito tributário apontem que a mera existência de documentação não assegura a ausência de irregularidades.
A campanha sustenta que Flávio Bolsonaro apenas solicitou patrocínio para o filme Dark Horse, negando ter operado, recebido ou administrado qualquer recurso financeiro relacionado ao projeto.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos Imediatos
A decisão do presidente do STF Edson Fachin autorizar a quebra de sigilo nos casos citados foi classificada pelo coordenador da campanha como 'boas medidas', embora juridicamente tais determinações estejam centradas na necessidade de transparência em investigações criminais com relevância pública. O Ministério Público Federal já sinalizou que manterá a sigilose partes dos autos até que haja comprovação concreta das alegações de crime contra a ordem econômica. A defesa aguarda agora análise técnica do relatório preliminar elaborado pelo relator.
O s próximos passos incluem a possibilidade de recurso da defesa junto ao próprio STF ou ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com prazo para manifestação previsto em 15 dias após a publicação do despacho. Caso o sigilo seja mantido parcialmente, a expectativa é que novas diligências possam ser requisitadas para ampliar o acesso aos documentos fiscais apresentados pela Go Up.



