Uma combinação de insatisfação com o governo de Donald Trump, dificuldades econômicas e mudanças no comportamento do eleitorado está por trás da vitória histórica do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3/11). A legenda, de oposição ao presidente republicano, conquistou o controle das duas Casas do Congresso e avançou sobre redutos tradicionalmente republicanos.
O resultado, apelidado de “tsunami democrata”, foi impulsionado por diferentes fatores. Entre eles estão a rejeição às políticas de Trump, o impacto da guerra contra o Irã no custo de vida, a recuperação do apoio entre eleitores latinos e a mobilização de uma nova geração de candidatos do partido. Até a última atualização dos resultados, os democratas haviam conquistado 28 governos estaduais, incluindo vitórias em territórios historicamente associados aos republicanos, como Texas e Kansas.
Para especialistas ouvidos pelo Metrópoles, a principal explicação está no desgaste da administração Trump, especialmente na área econômica. A combinação de inflação, aumento dos preços da energia, tarifas comerciais e endurecimento das políticas migratórias contribuiu para afastar eleitores que haviam apoiado o republicano em 2024. Em outubro, a aprovação do presidente chegou a 31%, o menor índice registrado durante o segundo mandato até então.
Os efeitos econômicos da guerra entre EUA e Irã chegaram diretamente ao orçamento das famílias. A pressão sobre o mercado de petróleo contribuiu para o encarecimento dos combustíveis e de outros produtos. O aumento dos custos de energia também repercutiu sobre os preços dos alimentos e de serviços, em um país que já enfrentava dificuldades com o custo de vida.
O vice-presidente JD Vance reconheceu o peso da guerra na derrota republicana. Em sua primeira manifestação após o resultado, atribuiu ao conflito a perda de apoio nas urnas: “A razão pela qual perdemos é a guerra”. Para o professor Lucas Portela, de Relações Internacionais do Centro Universitário de Brasília (CEUB), não é possível atribuir a derrota republicana exclusivamente ao conflito; na avaliação dele, a guerra teve influência principalmente por seus efeitos indiretos sobre a economia.
O eleitorado latino, que representa 16% dos eleitores aptos a votar nos EUA, voltou a demonstrar preferência pelos democratas nas midterms. Projeções do The New York Times indicam que 69% votaram em candidatos do partido à Câmara, alta de 28 pontos percentuais em relação a 2024. No Texas, o apoio chegou a 70%; no Kansas, a 75%. Segundo o Pew Research Center, a aprovação do presidente entre latinos que votaram nele em 2024 caiu de 93% para 57%.


