O laudo pericial do Instituto de Criminalística da Polícia Civil paulista, anexado ao processo que apura a morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, publicada na sexta‑feira (2/10), concluiu que a vítima não cometeu suicídio e identificou a participação de uma segunda pessoa no homicídio, enquanto o tenente‑coronel Geraldo Leite Rosa Neto, seu marido e oficial da PM, permanece preso sob acusação de feminicídio e fraude processual.
Contexto Institucional e Procedimento Pericial
O documento, elaborado pela perita criminal Amanda Rodrigues Marinone, reforça a impossibilidade técnica da própria vítima de realizar o ato autolesão, considerando a altura do arma (aproximadamente dois metros) estar fora do alcance da vítima, de 1,65 m, além da impossibilidade de observação da cena por parte do marido a partir do banheiro.
A análise das evidências periciais descartou a versão inicial de suicídio e apontou indícios concretos de envolvimento de terceiro agente, sustentando a necessidade de reavaliação das circunstâncias por parte das instâncias policiais e judiciais competentes.
A perícia demonstrou que a arma estava localizada em um guarda‑roupa a cerca de dois metros de altura, inacessível à vítima de 1,65 m.
Repercussão Administrativa e Desdobramentos Jurídicos
O Conselho de Justificação da Segurança Pública de São Paulo instaurou processo administrativo para avaliar a conduta do coronel, com decisão que depende da aprovação do Tribunal de Justiça Militar e pode culminar em sua demissão ou sanção pelo governador Tarcísio de Freitas.
Após a prisão e a transferência para a reserva da corporação, o militar dispõe de 30 anos de carreira e poderá requerer aposentadoria por tempo de serviço, enquanto o caso sigue sob investigação criminal e administrativa.



