A O rganização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (O CDE) informou, em análise econômica preliminar divulgada nesta quarta-feira (23), que os investimentos estratégicos em infraestrutura de inteligência artificial — incluindo centros de dados e semicondutores — têm desempenhado papel fundamental na manutenção da resiliência macroeconômica global ao longo de 2024, apesar da desaceleração prevista para os próximos ciclos.
Contexto Institucional e Análise das Projeções Econômicas
A O CDE destacou que os elevados gastos com infraestrutura tecnológica, sobretudo nos Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, contribuíram para sustentar o crescimento de 3,4% registrado globalmente em 2023, mesmo com a queda do consumo privado e pressões inflacionárias persistentes; essa dinâmica, no entanto, está sendo desafiada por fatores estruturais como a volatilidade dos mercados energéticos, eventos climáticos extremos associados ao El Niño e o aumento dos rendimentos reais dos títulos públicos, que juntos ameaçam a estabilidade das projeções para 2026 e 2027.
O s indicadores apontam para uma revisão na trajetória de crescimento: após estimativa inicial de 3,1% para 2026, o PIB global deve expandir 2,9% no próximo ano — ligeiramente acima do previamente previsto — mas o cenário se torna volátil caso os riscos identificados se concretizem, com possibilidade de redução adicional de até 0,7 ponto percentual em 2027, levando o ritmo de crescimento para apenas 3,0%, conforme indicado no relatório técnico da instituição.
Investimentos em IA impulsionaram 3,4% de crescimento global em 2023, mas instabilidade energética e clima extremo podem reduzir projeção para 3,0% em 2027.
Repercussão Jurídica, Monetária e Desafios Institucionais
A O CDE alertou que a convergência de riscos — instabilidade no setor energético global, eventos climáticos extremos relacionados ao forte El Niño, aumento dos rendimentos dos títulos públicos e retornos abaixo do esperado dos investimentos em IA — pode gerar pressão inflacionária adicional de 1,1 ponto percentual em 2026, elevando a taxa global para 4,1% nas economias do G20, acima dos 4,0% estimados em junho.
Diante desse cenário de incerteza ampliada, autoridades monetárias podem ser compelidas a reavaliar posturas de política cambial e taxa de juros, especialmente se os indicadores de preços ao consumidor demonstrarem persistência ou se o crescimento desacelerar além do esperado, colocando em xeque a credibilidade de regimes de metas inflacionárias.



