Incursões e operações militares israelenses recorrentes no sul da Síria têm prejudicado gravemente a vida cotidiana e os meios de subsistência dos moradores de Beit Jinn, um vilarejo próximo às Colinas de Golã.
Walid Akasha, chefe do vilarejo, afirmou que veículos militares israelenses aparecem frequentemente na região conhecida localmente como Ayn al-Kurum, deixando os agricultores em constante estado de medo e incerteza.
“Na região de Ayn al-Kurum, essas incursões acontecem quase todos os dias — ou, no mínimo, a cada dois dias. Os moradores vivem com medo constante. Sofremos muito com explosões e bombardeios. Na noite passada, eles [as forças israelenses] dispararam foguetes; estilhaços caíram dentro das casas das pessoas. Se alguém estivesse sentado do lado de fora naquele momento, poderia facilmente ter sido atingido. Até mesmo caminhar pela estrada representa um risco. Os estilhaços podem ser fatais”, disse Akasha.
O cultivo de uvas é uma fonte vital de sustento para as famílias locais, mas a presença militar israelense nas plantações afastou muitos jovens de seus vinhedos. As terras agrícolas estão diante dos olhos dos proprietários, mas eles não conseguem cultivá-las.
“Os moradores não se atrevem a ir aos próprios vinhedos, por medo de que os israelenses os detenham. Temos receio de que nossos nomes apareçam em uma lista de procurados. Por isso, muitos jovens evitam ir às próprias terras agrícolas, aterrorizados com a possibilidade de se tornarem alvos das autoridades israelenses. Vivemos em um estado constante de medo e ansiedade, agravado especialmente pelo ruído persistente dos drones, que ouvimos da manhã até a noite”, afirmou Akasha.
Para muitos moradores, nem mesmo suas casas são mais um refúgio seguro. Umm Muhammad, uma residente de Beit Jinn, relatou uma incursão militar israelense traumática em sua residência.
“Eles [as forças israelenses] ordenaram que nos deitássemos de bruços no chão, mas nos recusamos. Depois, mandaram que ficássemos sentados onde estávamos, sem nos mexer. Entramos em casa para acordar as crianças, com medo de que algo acontecesse. Quando tentamos sair, exigiram que permanecêssemos onde estávamos por 20 minutos e avisaram que, se desobedecêssemos, abririam fogo contra nós”, contou.
Embora os soldados tenham deixado o local posteriormente, Umm Muhammad disse que a incursão nunca terminou de fato para sua família. Ainda hoje, o som de um drone sobrevoando o vilarejo provoca forte ansiedade nas crianças. Qualquer visão de veículos militares ou ruído de tiros ao longe traz de volta o terror daquele dia.
“As crianças vivem com medo constante, especialmente quando estão na escola. Ficam completamente perdidas, sem saber se devem voltar para casa ou permanecer na escola. Até minha neta pequena está aterrorizada. Ela fica dizendo que precisamos nos esconder, porque os militares israelenses já bombardearam a região e abriram fogo”, afirmou.



