O papa Leão XIV embarcou nesta sexta-feira (6) para uma viagem de cerca de 11 dias pela América do Sul. O roteiro contempla 15 cidades, nove missas e quase 47 horas de deslocamentos aéreos, com primeiras paradas em Montevidéu, no Uruguai, seguidas por Argentina e Peru. O encerramento está previsto para 17 de novembro.
A visita ao Uruguai representa o retorno de um papa ao país após quase quatro décadas, desde a passagem de João Paulo 2º em 1988. A agenda do pontífice, divulgada em setembro, permanece mantida até o fim da viagem.
Aos 71 anos, Leão XIV viajou após ter se submetido a uma cirurgia em 13 de outubro para retirada do lobo inferior do pulmão direito, onde foi identificado um tumor. Segundo informações divulgadas após os exames, a doença estava localizada e não exigiu tratamento oncológico complementar. O Vaticano informou que a equipe médica não encontrou impedimentos para o deslocamento, que inclui trajetos de helicóptero e uma visita a Cusco, no Peru, situada a mais de 3.400 metros de altitude.
Na Argentina, terra natal do papa Francisco, Leão XIV deverá se reunir com o presidente Javier Milei e visitar detentos em Buenos Aires. No Peru, a passagem tem significado pessoal: Robert Prevost, nome de nascimento do pontífice, possui cidadania peruana e viveu cerca de 20 anos no país, tendo sido bispo de Chiclayo entre 2015 e 2023.
Um dos compromissos previstos no território peruano será em Pucallpa, onde Leão XIV deverá celebrar a primeira missa presidida por um papa na Amazônia peruana. A viagem ocorre em um cenário de transformações no catolicismo latino-americano; segundo o Anuário Pontifício 2026, com dados de 2024, as Américas reúnem 47,7% dos católicos do mundo.
No Brasil, que ficou fora da programação, dados do Pew Research Center apontam redução na proporção de adultos que se identificam como católicos: o índice passou de 61% para 46% entre 2013–2014 e 2024. No mesmo intervalo, a parcela de protestantes aumentou de 26% para 29%, enquanto a de pessoas sem religião subiu de 8% para 15%.



