Em um movimento estratégico de transparência e controle orçamentário, a deputada Erika Hilton (PSol-SP) formalizou à Procuradoria-Geral da República (PGR) a solicitação de investigação sobre novo repasse de US$ 1,66 milhão realizado por Daniel Vorcaro ao fundo Havengate Development, destinado à produção do filme Dark Horse — obra que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro — após confirmação por relatório do Coaf de que o pagamento ocorreu em 16 de setembro, oito dias após cobrança direta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Contexto Institucional e Investigação Preliminar
A denúncia surgiu após investigação jornalística da revista Piauí, que revelou que o repasse foi efetuado diretamente após Flávio Bolsonaro solicitar a regularização de parcelas atrasadas à produção do filme, evidenciando possível vínculo entre atores políticos e fluxo financeiro obscuro em empreendimentos culturais de alto impacto.
A representação apresentada pela parlamentar exige o acesso a documentos oficiais do Coaf, registros bancários e cambiais para mapear a origem dos recursos, identificar as contas movimentadas e determinar os beneficiários finais dos repasses, além da cooperação internacional com autoridades dos Estados Unidos para rastrear a trajetória do capital até o fundo Havengate.
O repasse de US$ 1,66 milhão elevou os investimentos totais de Daniel Vorcaro no projeto Dark Horse de US$ 10,6 milhões para aproximadamente US$ 12,3 milhões, contradizendo declarações anteriores sobre o fechamento das transações em maio de 2025.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos Estratégicos
A Procuradoria-Geral da República ainda não se manifestou formalmente sobre o pedido, mas destacou que eventuais irregularidades na alocação de recursos públicos ou privados ao projeto poderão gerar investigação por crimes contra a administração pública e lavagem de ativos, conforme previsto no Código Penal e na Lei Antilavagem de Dinheiro.
Enquanto o vice de Flávio Bolsonaro afirmou que 'Dark Horse está superado' e negou qualquer irregularidade, especialistas apontam que a revelação pode acelerar pressão sobre o governo federal para revisar contratos culturais vinculados a figuras políticas e demandar maior rigor na fiscalização de repasses federais.



