No final de agosto, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e a Polícia Federal realizaram com sucesso o resgate de duas idosas, de 95 e 65 anos, que viviam há décadas em regime de trabalho análogo à escravidão dentro da mesma família em Belo Horizonte, sendo submetidas a condições desumanas de submissão total sem qualquer direito trabalhista ou proteção social.
Contexto Histórico e Desdobramentos da Investigação
A apuração conduzida pelo MTE em conjunto com a Polícia Federal revelou que as vítimas passaram 75 e 60 anos, respectivamente, realizando serviços domésticos intensivos — limpeza, preparo de refeições e compras — sem direito a salário, férias, jornada limitada ou acesso a educação e saúde, sendo transferidas entre diferentes empregadores da mesma linhagem familiar sem qualquer registro formal.
O s laudos técnicos e depoimentos colhidos durante meses de fiscalização comprovam que as senhoras não tinham contato com o mundo exterior, eram isoladas socialmente e impedidas de construir projetos de vida autônomos, configurando claramente o trabalho forçado no âmbito doméstico, conforme definido pela Convenção 189 da O IT.
Duas mulheres foram resgatadas após 75 e 60 anos de trabalho doméstico sem direitos em Belo Horizonte.
Repercussão Institucional e Perspectivas Futuras
O Ministério do Trabalho e Emprego destacou que as vítimas foram encaminhadas a um centro de acolhimento sob a tutela da Assistência Social, onde recebem acompanhamento psicológico, moradia garantida e acesso a serviços básicos, enquanto o caso segue sob investigação para responsabilização dos antigos empregadores.
Especialistas apontam que o ocorrido evidencia falhas estruturais na fiscalização do trabalho doméstico e reforça a necessidade de ampliar mecanismos de denúncia anônima, fortalecer o programa Bolsa Família para idosos em situação de vulnerabilidade e revisar políticas públicas voltadas à proteção de pessoas idosas isoladas.



