Entre outubro e dezembro do ano passado, durante as gravações do filme Dark Horse, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, assessores lotados no gabinete do deputado federal Mario Frias (PL-SP) foram beneficiados com pagamentos da produtora GO Up Entertainment, conforme comprovantes oficiais obtidos pela Polícia Federal e divulgados em documentos vinculados ao inquérito da Suprema Corte.
Contexto Institucional e Procedimentos de Apuração
A investigação conduzida pelo ministro André Mendonça, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal, revelou que os valores repassados pela GO Up Entertainment — empresa ligada ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — foram distribuídos entre assessores parlamentares vinculados ao deputado Mario Frias, incluindo a parlamentar Rareska Metsker, que recebeu R$ 24,8 mil em transferências e reembolsos entre outubro e dezembro de 2023.
O s registros fiscais indicam que parte significativa desses recursos foi utilizada para custear a estadia de Metsker no hotel Ibis Budget na Vila Mariana (R$ 9,4 mil) e para pagar à empresa da mãe dela, de propriedade de uma testa de ferro, por serviços fictícios de videomaker, totalizando R$ 14,8 mil, além de uma transferência de R$ 619,16 referente ao reembolso de diárias em outubro de 2025.
A assessora Rareska Metsker recebeu R$ 24.800 em pagamentos da produtora GO Up Entertainment durante as gravações do filme Dark Horse, com R$ 14.800 direcionados à empresa da mãe como pagamento por serviços simulados de videomaker.
Repercussão Jurídica e Investigações em Curso
O ministro Flávio Dino, responsável pelo inquérito que apura o uso de emendas parlamentares para financiar o longa-metragem, determinou a quebra do sigilo dos documentos investigatórios na última semana, alertando para os riscos de vazamentos seletivos que comprometem a transparência institucional.
A Polícia Federal deflagrou operação para apurar a conduta dos envolvidos, enquanto o desembargador do Tribunal de Contas da União deve avaliar a aplicação de sanções administrativas à Câmara dos Deputados caso comprova-se a irregularidade nos repasses efetuados por meio de emendas.



