O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, formalizou seu apoio ao fim da escala de trabalho 6×1, que será votado em primeiro turno no Senado na quarta-feira, 14 de outubro, com a votação exigindo apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores em dois turnos para a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) já aprovada na Câmara dos Deputados em maio.
Contexto Institucional e Estratégia Política da Proposta
A decisão do senador ocorre em um momento de intenso calendário eleitoral, com apenas 11 dias para o segundo turno da disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, e após meses de críticas públicas à PEC do fim da 6×1, inicialmente rotulada por seu próprio grupo como 'inoportuna e eleitoreira'. A votação no Senado, marcada pelo presidente Davi Alcolumbre (União-AP), terá caráter semipresencial, permitindo que o candidato registre seu voto remotamente enquanto permanece em campanha em Porto Alegre.
A estratégia de apoio à medida, coordenada com o senador Rogério Marinho (PL-RN), busca mitigar riscos políticos ao evitar que uma posição contrária à PEC seja usada pelos petistas como 'munição' eleitoral, especialmente diante da proximidade do segundo turno e da necessidade de consolidar apoio popular. A campanha mantém críticas técnicas ao aumento de custos para as empresas decorrente da redução da jornada, mas reconhece que o desgaste político de votar contra a proposta seria maior do que os efeitos econômicos adversos.
A PEC exige apoio de 49 senadores em dois turnos para ser aprovada no Senado, com votação prevista para 14 de outubro.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos Eleitorais
O apoio de Flávio Bolsonaro, apesar de contrários aos posicionamentos anteriores, reforça a aposta do candidato em alinhar-se com demandas populares percebidas como favoráveis à sua imagem, ainda que mantenha críticas quanto aos impactos econômicos da redução da jornada. O ministro Ciro Gomes, ao comentar a decisão, destacou a necessidade de 'equilíbrio entre direitos trabalhistas e viabilidade econômica', enquanto a Associação Brasileira de Empregadores (ABE) reiterou preocupação com o aumento de encargos trabalhistas.
A estratégia política inclui a previsão de ajustes técnicos na redação da PEC após a eleição, conforme sugerido por aliados do candidato, com a intenção de modular os efeitos sobre a economia sem comprometer a vitória nas urnas. A próxima semana será decisiva para definir se a proposta segue para votação em plenário ou sofre alterações em comissões senatoras.



