Entre janeiro e abril de 2025, o advogado Daniel Monteiro, operador de Daniel Vorcaro, forneceu à Polícia Federal e ao ministro André Mendonça detalhes sobre movimentações superiores a bilhões de reais entre bancos, empresas e mais de 60 fundos de investimento, incluindo direitos creditários da Construtora Industrial Brasileira (CIB), em um esquema estruturado por meio da Master Holding e da offshore Titan Capital, que foi liquidada recentemente nas Ilhas Cayman.
Contexto Institucional e Estrutura Financeira do Esquema
A apuração da Polícia Federal revelou que Daniel Monteiro, tido como um dos principais arquitetos do ecossistema financeiro vinculado a Vorcaro, entregou à autoridade policial uma planilha com mais de 500 contratos e aditivos que detalham fluxos complexos de ativos entre instituições financeiras e fundos multimercado. A documentação indicou que valores equivalentes a R$ 35 bilhões em direitos creditários da CIB, sem respaldo real, circulavam como moeda de troca em operações estruturadas pela Master Holding, sendo convertidos em ações listadas na Bolsa e em cédulas de crédito bancário (CCB) emitidas pelo próprio grupo.
Antecedentes e justificativas revelam que a estrutura se apoiava em autopagamentos e na ausência de valor nominal nos papéis podres da CIB, permitindo a transferência de ativos reais para o exterior sem desembolso direto de recursos. O FIDC Esperanza, por exemplo, utilizava esses precatórios como moeda contábil para movimentar mais de R$ 6 bilhões em ativos, enquanto o fundo Hans 95 adquiriu 15 fundos ligados ao ecossistema Master pagando com títulos sem valor, completando uma cadeia de transferências que beneficiou a offshore Titan Capital antes de sua liquidação judicial nas Ilhas Cayman.
Mais de 60 fundos de investimento foram envolvidos em operações estruturadas pela Master Holding usando direitos creditários da CIB como moeda sem valor nominal para transferir ativos ao exterior.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos do Inquérito
Autoridades da Polícia Federal e do STF já iniciaram análise das implicações penais e cíveis do esquema, com foco na prática de autopagamento, falsificação documental e uso de paraísos fiscais para dissimular origem de recursos. O ministro André Mendonça destacou que as apurações buscam mapear toda a cadeia de custódia dos ativos para responsabilizar eventuais beneficiários diretos do esquema.
Especialistas apontam que o caso pode servir de marco para regulamentar o uso de direitos creditários como moeda contábil em operações financeiras complexas, além de reforçar mecanismos de monitoramento sobre fundos que operam com ativos offshores. A expectativa é que novas diligências gerem indiciamentos até o final do ano judiciário.



