A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou nesta quinta-feira (5/11) a Operação Azzardo, desarticulando um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 3,4 bilhões provenientes de apostas ilegais via Pix. A investigação, conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor), identificou que valores pagos por apostadores em sites de quota fixa não autorizados eram direcionados a empresas de fachada cadastradas em nome de 'laranjas'.
Os recursos circulavam por endereços registrados em Sobradinho, Sobradinho II e Ceilândia, onde a polícia encontrou imóveis vazios e placas de 'aluga-se'. Em um único lote em Ceilândia, dez empresas declaravam o mesmo telefone corporativo. Uma fintech paulista autorizada pelo Banco Central foi utilizada para concentrar cerca de R$ 1 bilhão, com posterior conversão dos valores em criptoativos para dificultar o rastreio.
A operação cumpriu 50 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte. Na capital paulista, policiais realizaram incursões em regiões como Avenida Brigadeiro Faria Lima, Pinheiros e Vila Olímpia. O Juízo das Garantias de Sobradinho determinou medidas cautelares para sufocar financeiramente o grupo.
As plataformas investigadas tentavam mascarar a ilicitude com falsas vinculações a loterias estaduais da Paraíba e do Rio de Janeiro, mas nenhuma possuía outorga federal exigida pela Medida Provisória nº 1.394/2026. Os investigados responderão por crimes organizados cujas penas somadas podem chegar a 33 anos de reclusão.



