Na noite de quinta-feira (10/9), o Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Distrito Federal (Sintect-DF) formalizou a greve dos funcionários dos Correios na capital por tempo indeterminado, em resposta à impasse nas negociações sobre condições de trabalho e direitos previstos no acordo coletivo.
Contexto Histórico e Estrutura Negocial da Greve
A assembleia que aprovou a greve reuniu dirigentes sindicais e representantes da categoria para analisar a proposta da estatal, que prevê redução de 70% das férias, extinção do ticket extra, isenção da condição de mantenedora do plano de saúde e alteração da jornada aos sábados para iniciar às 13h, medidas consideradas retrocessivas pelo Sintect-DF. A entidade destacou que tais mudanças representam abuso de poder, violando princípios de dignidade e segurança no exercício profissional, com base em parecer jurídico preliminar emitido pela categoria.
Nos últimos meses, as negociações entre o Sintect-DF e a empresa dos Correios avançaram pouco, apesar de proposta inicial que contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente, incluindo reajuste salarial de 100% do INPC a partir de 1º de agosto e manutenção integral do plano de saúde.
A greve dos Correios na capital foi aprovada por unanimidade em assembleia sindical na noite de 10/9, com impacto imediato sobre a continuidade operacional dos serviços postais em todo o Brasil.
Repercussão Institucional e Desdobramentos Imediatos
O s Correios acionaram o Plano de Continuidade de Negócios, mobilizando equipes remanejadas e reforçando operações logísticas para garantir a regularidade das entregas, embora tenham reconhecido publicamente a possibilidade de interrupções regionais em serviços críticos como correspondências prioritárias e pacotes urgentes. A empresa reiterou seu compromisso com o reajuste salarial de 100% do INPC e com a preservação do plano de saúde, pontos já incluídos na proposta apresentada à categoria.
A presidente do Sintect-DF, Amanda Corcino, afirmou que a greve tem caráter indefinido até que haja concessão das demandas trabalhistas, destacando que 'não vamos aceitar nenhum retrocesso' e que as mobilizações previstas incluem atos públicos e bloqueio estratégico das unidades locais para pressionar a estatal. O Ministério da Economia ainda não se pronunciou oficialmente sobre o andamento das negociações.



