Na noite de sexta-feira (11/9), o ministro André Mendonça rebateu, com rigor técnico, a interpretação de Alexandre de Moraes sobre o levantamento de sigilo dos 15 processos do Caso Master, afirmando que todas as peças efetivamente disponíveis foram devidamente divulgadas e que a discrepância apontada por Moraes reflete diferenças metodológicas entre os sistemas utilizados e não omissão de documentos.
Contexto Jurídico e Metodológico do Levantamento de Sigilo
O ministro André Mendonça, em despacho publicado na noite de sexta-feira (11/9), contestou a análise de Alexandre de Moraes, que havia sustentado que 180 documentos ficaram desconsiderados no procedimento de desclassificação do Caso Master, ao argumentar que a diferença entre o número de peças disponibilizadas no sistema eletrônico do STF e as efetivamente consultadas decorre de fatores como transferência de documentos entre processos ou existência de peças internas, como ofícios e mandados.
Essa divergência ganha relevância ao considerar que a Petição 15.198, citada por Mendonça, demonstra inconsistência aparente: enquanto o sistema indicava a disponibilidade de 1.075 peças, apenas 1.042 estavam acessíveis ao público, com o último documento numerado como 1.073, evidenciando possível falha na contabilização automática da plataforma judicial.
Todas as peças efetivamente disponíveis foram devidamente publicadas, comprovando sua plena transparência processual.
Repercussão e Desdobramentos Iminentes
A decisão de Mendonça ressalta a necessidade de cautela na interpretação dos dados judiciais, especialmente em contextos marcados por disputas ideológicas entre ministros, sem prejuízo da isonomia processual ou do direito à ampla defesa.
O julgamento marcado para terça-feira (15/9) deve apreciar as conversas entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e Alexandre de Moraes, com a expectativa de que o desmanche do sigilo já realizado permita aos demais magistrados avaliar integralmente o mérito da denúncia e os eventuais desvios na conduta do próprio Mendonça.



