O Congresso do Paraguai deu início, nesta quinta-feira (5), a uma sessão extraordinária na Câmara dos Deputados para discutir o processo de impeachment do presidente Santiago Peña. A iniciativa partiu de 35 deputados da oposição que apresentaram um documento formal de acusação contra o chefe do Executivo.
O pedido está vinculado ao colapso do banco digital Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, que encerrou suas operações na terça-feira (3) após intervenção do Banco Central. A instituição foi alvo de liquidação diante de um déficit em seus índices de solvência, relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas, deixando milhares de clientes sem acesso aos próprios recursos.
A oposição responsabiliza diretamente Peña pela crise e aponta práticas como conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central. Durante a sessão, a deputada Rocío Vallejo afirmou que o presidente é a origem do problema que prejudicou cerca de 3 milhões de pessoas na República do Paraguai.
Santiago Peña, economista conservador no poder desde 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco. A instituição concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. Para iniciar os trâmites do impeachment, é necessária maioria de dois terços dos parlamentares presentes na sessão.
Em publicação na rede social X, Peña declarou que os responsáveis por irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções. O presidente também promulgou uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seus valores em menos tempo e pediu que setores políticos priorizem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse.



