No auge da crise institucional entre os Poderes, o grupo Prerrogativas, formado por juristas alinhados ao governo Lula, reativou a Secretaria Especial de Reforma do Judiciário, coordenada pelo advogado criminalista Pierpaolo Cruz Bottini, com o objetivo de retomar a agenda legislativa da Emenda Constitucional 45, promulgada em 2005 para criar o Conselho Nacional de Justiça e uniformizar os tribunais superiores.
Contexto Histórico e Estrutura da Proposta
A iniciativa do Prerrogativas parte de uma estratégia política para reabrir o debate sobre a reforma do Judiciário após anos de estagnação, com foco em restruturar o Ministério da Justiça, separando-o da Segurança Pública e transferindo as competências para uma nova secretaria especializada. O projeto, que já havia sido apresentado em 2005 sob a gestão do ministro Márcio Thomaz Bastos, busca agora avançar com maior urgência diante do desgaste das instituições judiciais e do impasse entre os Poderes.
Antecedentes revelam que a Emenda Constitucional 45 foi fruto de diálogo entre executivo e legislativo, consolidando mecanismos de autonomia para a Defensoria Pública e estabelecendo critérios de idade mínima e paridade de gênero para os magistrados, além de definir mandato fixo de 12 anos para os ministros do STF.
A Emenda Constitucional 45 criou o Conselho Nacional de Justiça e estabeleceu mandato de 12 anos para os ministros do STF.
Repercussão Institucional e Desafios O peracionais
Autoridades como Marco Aurélio Carvalho e Bruno Salles destacam que a reforma depende da capacidade do Ministério da Justiça de conduzir o processo com imparcialidade técnica, sem sobreposição aos interesses partidários ou à atuação policial. O projeto ainda enfrenta ceticismo quanto à viabilidade política em um Congresso fragmentado e à necessidade de consenso entre os ramos do Poder.
O próximo passo é submeter a proposta à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, onde deverá ser avaliada em termos de constitucionalidade e impacto no modelo atual de governança judicial.



