O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que não pretende pautar o impeachment de ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, caso seja reeleito. Para o analista de Política da CNN Matheus Teixeira, o futuro do ministro na Corte depende diretamente do resultado da disputa pela presidência da Casa.
Apenas o presidente do Senado tem a prerrogativa de abrir ou não um processo de impeachment contra um ministro do STF. Se Alcolumbre conseguir a reeleição, a chance de ele iniciar esse processo contra Alexandre de Moraes é muito baixa. Por outro lado, se um candidato mais à direita assumir o comando do Senado, a probabilidade de abertura desse processo aumenta consideravelmente.
Alexandre de Moraes é acusado de manter uma relação próxima com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, envolvido em uma fraude que teria gerado um rombo superior a R$ 50 bilhões no FGC. Há ainda uma fraude no Banco Regional de Brasília que pode superar os R$ 10 bilhões, totalizando mais de R$ 60 bilhões. A esposa de Moraes teria mantido contrato com o Banco Master, e o ministro chegou a ser alvo de acusação da Polícia Federal. No plenário do STF, o julgamento do caso foi interrompido por um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Independentemente do desfecho no STF, há um movimento no Senado para aprovar o impeachment do ministro. Com a composição mais à direita prevista para o próximo Senado, nomes como Tereza Cristina (PP-MS) e Rogério Marinho (PL-RN), ambos mais próximos a Jair Bolsonaro, disputam a presidência da Casa e têm chances reais de vencer. São necessários 41 votos entre os 81 senadores para vencer a eleição. Alcolumbre já articula nos bastidores a tentativa de atrair votos da direita, compor com o governo e conquistar apoio do centrão para garantir sua reeleição.



