O ensino médio da rede pública do Pará apresentou uma melhora expressiva nos principais indicadores educacionais nos últimos três anos. Dados da segunda etapa do Censo Escolar 2025, divulgados nesta sexta, 26, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que mais estudantes estão permanecendo na escola, sendo aprovados e concluindo os estudos na idade adequada.
Entre 2022 e 2025, a taxa de abandono escolar no ensino médio público paraense despencou de 11,7% para apenas 0,6%. No mesmo período, a reprovação caiu de 11,6% para 0,3%, enquanto a distorção idade-série — indicador que mede o atraso escolar dos alunos — recuou de 43,7% para 30,2%.
Os números revelam uma mudança significativa na trajetória educacional dos estudantes paraenses e refletem os esforços de políticas públicas voltadas à permanência e ao sucesso escolar.


No cenário nacional, o ensino médio público também apresentou avanços importantes. Entre 2022 e 2025, a reprovação caiu 62%, o abandono escolar diminuiu 61% e a distorção idade-série foi reduzida em 28%. Paralelamente, a taxa de aprovação dos estudantes cresceu 11%.Pé-de-Meia têm sido decisivo para melhora
Políticas públicas impulsionam resultados
Segundo o Ministério da Educação (MEC), a melhoria observada desde 2023 está relacionada à ampliação de programas estruturantes, como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, o Escola em Tempo Integral, a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas e as ações de fortalecimento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).


Outro programa apontado como decisivo para a melhoria dos indicadores é o Pé-de-Meia, lançado no início de 2024. No Pará, 487.612 estudantes já foram beneficiados pela iniciativa, que oferece incentivo financeiro para estimular a permanência e a conclusão do ensino médio. Do total de beneficiados, 51,3% são do sexo feminino e 48,7% do masculino.
“Os resultados demonstram que mais estudantes estão conseguindo permanecer na escola, avançar de série e concluir seus estudos no tempo adequado. O cenário reflete uma combinação de políticas públicas voltadas à permanência, à aprendizagem e ao aprimoramento das condições de oferta da educação básica”, afirmou o ministro da Educação, Leonardo Barchini.
Engajamento e acesso ao ensino superior
Outro indicador reforça a mudança de cenário. O Enem registrou crescimento de 46% nas inscrições de concluintes de escolas públicas entre 2022 e 2025, demonstrando maior engajamento dos estudantes na continuidade dos estudos e no acesso ao ensino superior.Mais jovens permanecem estudando.


O presidente do Inep, Manuel Palacios, destaca que um novo indicador produzido pelo instituto mostra que a taxa de não retorno ao ensino médio caiu 28% no período.
“Isso significa que mais jovens permaneceram estudando. Se esse indicador tivesse permanecido no nível de 2022, o Brasil teria, em 2025, quase 250 mil estudantes a menos no ensino médio”, explicou.
Os resultados também são confirmados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa ajustada de frequência escolar líquida entre os jovens brasileiros de 15 a 17 anos alcançou 80,6% em 2025, o maior índice desde o início da série histórica, em 2016.
Em apenas um ano, a proporção de jovens dessa faixa etária que estavam fora do ensino médio caiu de 23,2% para 19,4%, uma redução de 16,3%, superando a queda registrada nos quatro anos anteriores.
Especialistas avaliam que os números representam um avanço importante, sobretudo em estados historicamente desafiados pela evasão escolar, como o Pará. Os dados indicam que mais jovens estão conseguindo permanecer na escola, recuperar trajetórias educacionais interrompidas e construir perspectivas mais concretas de acesso ao ensino superior e ao mercado de trabalho.O que é o Censo Escolar e por que ele é tão importante
Importância do Censo Escolar
Considerado o principal levantamento estatístico da educação básica brasileira, o Censo Escolar é realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e reúne informações de todas as escolas públicas e privadas do país. O levantamento é obrigatório e fornece um retrato detalhado da realidade educacional brasileira, servindo de base para a formulação de políticas públicas e a distribuição de recursos federais.
As informações são declaradas pelas próprias instituições de ensino por meio do sistema digital Educacenso. A coleta tem como data de referência a última quarta-feira de maio e é realizada em etapas. Primeiro, são registrados dados sobre matrículas, turmas, professores, gestores e infraestrutura escolar. Em seguida, o levantamento acompanha o movimento e o rendimento dos estudantes, incluindo aprovação, reprovação e abandono.
Os dados produzidos pelo Censo Escolar são fundamentais para o planejamento da educação no país. É a partir deles que são calculados indicadores como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), as taxas de fluxo escolar e a distorção idade-série, além de permitir o acompanhamento das metas previstas no Plano Nacional de Educação (PNE).
O levantamento também orienta o repasse de recursos destinados às redes de ensino, servindo de referência para programas como a alimentação escolar, o transporte de estudantes e a distribuição de verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Em outras palavras, o Censo Escolar funciona como uma espécie de “raio-X” da educação brasileira e é uma ferramenta indispensável para identificar avanços, desafios e definir prioridades para o ensino no país.
Quadro: Ensino Médio Público do Pará
QUADRO | ENSINO MÉDIO PÚBLICO DO PARÁ
Taxa de abandono: 0,6%
Taxa de reprovação: 0,3%
Distorção idade-série: 30,2%
Estudantes beneficiados pelo Pé-de-Meia desde 2024: 487.612
51,3% mulheres
48,7% homens
Enem: crescimento de 46% nas inscrições de concluintes de escolas públicas entre 2022 e 2025.

