O Governo do Pará e o Governo Federal deram mais um passo para transformar a infraestrutura viária do estado. Nesta quarta-feira, em Brasília, as duas gestões assinaram o aviso de licitação para a pavimentação de 124,95 quilômetros da BR-230, a Transamazônica, entre os municípios de Uruará e Rurópolis, no sudoeste paraense. O investimento previsto é de cerca de R$ 1 bilhão.
A assinatura ocorreu durante agenda no Ministério dos Transportes, em Brasília (DF) nesta quarta, 10, e marca uma nova etapa no processo de modernização da rodovia federal, considerada uma das mais importantes da Amazônia. Além disso, a obra deve ampliar a capacidade logística da região e melhorar a mobilidade entre municípios estratégicos do Pará.


Parceria para o desenvolvimento do Pará
Durante o encontro, a governadora Hana Ghassan (MDB) destacou a importância da parceria entre os governos estadual e federal para tirar do papel projetos estruturantes e impulsionar o desenvolvimento econômico do estado.
“Um bilhão de reais que serão investidos em 125 km de estrada pro Pará, o que é importante pro desenvolvimento. Hoje, um dia muito importante pro desenvolvimento do nosso estado”, afirmou a governadora.
Novas entregas e investimentos em infraestrutura
Por outro lado, o ministro dos Transportes, George Santoro, reforçou que a licitação integra um conjunto de ações voltadas à ampliação da infraestrutura logística paraense. Segundo ele, novas entregas já estão previstas para os próximos meses.
“Combinamos outras entregas importantes hoje. Vamos entregar mais um trecho da BR-316 e iniciar a revitalização das BRs-155 e 158. Alinhamos as agendas e estaremos no Pará ainda em junho e também em julho para realizar essas entregas. Vamos obter o licenciamento ambiental do trecho restante ainda este ano e trabalhar para licitar, também em 2026, o segmento que falta, entre Medicilândia e Uruará”, informou o ministro.


Impacto econômico e social da pavimentação
A Transamazônica desempenha papel estratégico na circulação de pessoas, mercadorias e insumos em diferentes regiões do Pará. O trecho contemplado pela licitação conecta municípios com forte vocação agropecuária e grande relevância na produção de cacau, um dos principais produtos da economia regional.
Com a pavimentação, a expectativa é de melhorar as condições de tráfego, reduzir custos logísticos e fortalecer o escoamento da produção agrícola. Como resultado, a obra pode ampliar a competitividade das cadeias produtivas locais e estimular novos investimentos no interior do estado.


O evento reuniu ainda o ex-governador Helder Barbalho (MDB), o presidente da Assembléia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), deputado Chicão (União), além de parlamentares da bancada federal e estadual paraense, representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e integrantes da equipe técnica do Governo do Pará.
HISTÓRICO
Criada durante o regime militar, a Transamazônica surgiu com a missão de conectar áreas isoladas da Amazônia ao restante do país. O projeto começou a sair do papel em 1970, durante o governo do general Emílio Garrastazu Médici. A proposta era ambiciosa: abrir um corredor terrestre que permitisse a ocupação de áreas consideradas estratégicas, estimulasse a produção agrícola e facilitasse o transporte de pessoas e mercadorias.
Ao longo dos anos, a rodovia impulsionou o surgimento e o crescimento de diversos municípios amazônicos. Cidades como Altamira, Medicilândia, Uruará, Rurópolis e Itaituba fortaleceram suas economias com a chegada de novos moradores, produtores rurais e empreendimentos ligados ao agronegócio e à extração de recursos naturais.
No entanto, os desafios da região logo mostraram que a execução da obra seria mais complexa do que o planejado. As longas distâncias, as condições climáticas da Amazônia e os elevados custos de manutenção dificultaram a conclusão integral da rodovia. Em muitos trechos, a falta de pavimentação transformou a estrada em um obstáculo para moradores e transportadores, especialmente durante o período de chuvas.
Em diversos pontos da BR-230, atoleiros, erosões e interrupções no tráfego passaram a fazer parte da rotina de quem depende da estrada. A situação impacta diretamente o transporte de alimentos, combustíveis, insumos agrícolas e até o acesso a serviços essenciais, como saúde e educação.
Apesar dos problemas, a Transamazônica mantém papel fundamental para a economia amazônica. A rodovia atravessa regiões com forte produção de grãos, pecuária e cacau, especialmente no Pará, estado que concentra alguns dos principais polos produtivos da Amazônia brasileira. O corredor também é estratégico para o escoamento da produção destinada aos mercados nacional e internacional.

